POLÍTICA

VÍDEO: Delegado e policiais civis do RJ são presos por extorquir membros do Comando Vermelho

Agentes da Polícia Federal. Foto: reprodução

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (10) um delegado e dois policiais civis do Rio de Janeiro durante a segunda fase da Operação Anomalia, que investiga a suposta ligação de agentes públicos com o crime organizado no estado. As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além das prisões, os agentes federais cumprem três mandados de busca e apreensão, de acordo com informações da Folha de S.Paulo. Os investigados também foram afastados de suas funções públicas e tiveram bloqueios determinados sobre contas bancárias e criptoativos. A decisão também incluiu a suspensão de atividades de pessoas jurídicas relacionadas aos alvos da investigação.

Um vídeo divulgado pela PF mostra uma grande quantia de dinheiro apreendida na casa de um dos alvos da operação. A corporação, no entanto, ainda não divulgou o valor recolhido.

A ação é um desdobramento da primeira fase da operação, realizada na segunda-feira (9), quando foi preso o delegado federal Fabrizio Romano. Ele é investigado por suposta ligação com o ex-deputado TH Joias, apontado como associado à facção criminosa Comando Vermelho.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação apura se autoridades utilizaram a estrutura do Estado para extorquir integrantes do crime organizado e obter vantagens financeiras. A suspeita é de que servidores públicos tenham cobrado propina em troca de omissão em ações policiais.

Segundo a corporação, um delegado da Polícia Civil e um policial, ambos presos nesta nova etapa da operação, seriam os responsáveis por liderar o esquema investigado.

TH Joias e Cláudio Castro, governador do RJ. Foto: reprodução

Em nota, a Polícia Federal afirmou que os agentes utilizavam instrumentos oficiais para pressionar integrantes do tráfico. “De forma reiterada, os servidores emitiam intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro, exigindo o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício”, informou o órgão.

Ainda segundo a PF, a cobrança das vantagens ilícitas era feita de maneira direta e com prazos definidos. “A negociação ilícita ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos. Para operacionalizar o recebimento das vantagens indevidas e manter um distanciamento físico das lideranças da facção criminosa, os policiais contavam com a atuação direta de dois intermediários.”

As investigações também apontam que os valores obtidos de forma ilegal eram ocultados por meio de empresas de fachada, utilizadas para movimentar e lavar o dinheiro.

Os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes como organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro. As apurações continuam para identificar outros possíveis participantes do esquema.

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