
Diante da iminente pressão da oposição para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre as fraudes envolvendo o banco Master, os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado, Davi Alcolumbre, articulam uma estratégia para priorizar pautas de maior apelo popular.
O objetivo é reduzir o espaço político para a instalação da comissão, evitando desgastes em um ano eleitoral. A intenção é focar em temas que ressoem com a opinião pública, deixando o caso Master em segundo plano.
A informação, divulgada pela coluna Painel da Folha de S.Paulo, indica que tanto Lira quanto Alcolumbre sinalizaram a aliados que não pretendem autorizar a abertura da CPI. A avaliação é que o tema pode gerar consequências negativas significativas para diversos atores políticos.
Prioridade para temas de forte impacto social e econômico
Com o fim do recesso de Carnaval, a oposição promete intensificar a pressão pela investigação. No entanto, a resposta esperada dos comandos do Congresso será a priorização de propostas com forte repercussão junto à opinião pública.
Entre os temas que devem ganhar destaque estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia e o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1. A tramitação dessas matérias visa mobilizar a agenda legislativa e, consequentemente, esvaziar o ambiente favorável à instalação da CPI do Master.
Estratégia de postergação e “não mexer no vespeiro”
Na Câmara, há atualmente 15 pedidos de CPI aguardando análise. Arthur Lira já declarou em outras ocasiões que respeitaria a ordem de apresentação dos requerimentos para definir quais comissões seriam instaladas primeiro, um argumento que pode ser utilizado para postergar a análise do pedido relacionado ao banco Master.
No Senado, a pressão se concentra sobre Davi Alcolumbre. Senadores próximos ao presidente da Casa afirmam que ele não pretende “mexer no vespeiro” em pleno ano eleitoral. A avaliação predominante é que a abertura de uma CPI pode ampliar desgastes de forma imprevisível, afetando partidos e o tamanho das bancadas no Congresso Nacional.
Investigações sobre o banco Master se aproximam de figuras políticas
Um elemento adicional que pesa na equação política são os desdobramentos das investigações sobre o banco Master em fundos de previdência estaduais. No início de fevereiro, a Amapá Previdência foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), que apura a aplicação de recursos de servidores públicos em carteiras vinculadas ao banco. Davi Alcolumbre é apontado como um dos políticos mais influentes do estado do Amapá.
Oposição promete manter pressão pela CPI
Apesar da resistência das cúpulas da Câmara e do Senado em avançar com a CPI do Master, a pressão pela investigação tende a continuar. Mesmo com o apoio considerado tardio do PT à proposta, o deputado Rogério Correia (PT-MG) manifestou-se favorável à instalação da comissão.
Em referência a outras CPIs, o parlamentar declarou: “Vai ser o terceiro tiro no pé que o bolsonarismo vai dar”, indicando que a oposição vê a não investigação como um erro estratégico que pode ser explorado politicamente.



