AMÉRICA LATINAMUNDO

Rússia exige que EUA libertem Maduro após ataque militar e promete manter apoio estratégico à Venezuela

A Rússia elevou o tom contra os Estados Unidos neste sábado (3) ao exigir a libertação imediata do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, após Moscou afirmar que ambos estariam em território norte-americano desde as primeiras horas do dia, na esteira de um ataque militar contra a Venezuela. A cobrança foi feita por meio de um comunicado oficial da chancelaria russa, que classificou a situação como inaceitável e pediu que Washington recue da posição.

A informação foi divulgada pela teleSUR, que aponta se tratar da primeira confirmação oficial, por um governo estrangeiro, sobre o paradeiro do mandatário venezuelano e de sua esposa, cuja localização era desconhecida desde o início da ofensiva militar e das denúncias apresentadas por Caracas.

No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou: “Em relação com a informação confirmada sobre a presença do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa nos EUA, fazemos um enérgico chamado ao líderado norte-americano a reconsiderar esta postura e libertar o presidente legitimamente eleito deste país soberano e a sua esposa.”

A nota russa também sustenta que qualquer crise entre Washington e Caracas deve ser enfrentada por meios diplomáticos. Moscou insiste na “necessidade de criar condições” para resolver as tensões por meio do diálogo, reiterando a defesa russa da soberania nacional e da solução pacífica de controvérsias internacionais.

A posição do Kremlin, ao enfatizar a legitimidade eleitoral de Maduro, confronta diretamente a narrativa histórica dos Estados Unidos, que há anos questionam os processos eleitorais venezuelanos e mantêm acusações e pressão internacional sobre o governo bolivariano, inclusive com denúncias e mecanismos de perseguição política que Caracas denuncia como parte de uma estratégia de desestabilização.

Ainda no sábado, o chanceler russo Serguéi Lavrov manteve uma conversa telefônica com a vice-presidenta executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, na qual expressou “firme solidariedade” ao povo venezuelano diante da agressão armada e reafirmou que a Rússia seguirá apoiando o rumo do governo bolivariano, voltado à proteção da soberania e dos interesses nacionais do país.

Segundo a teleSUR, Lavrov e Delcy também concordaram sobre a necessidade de evitar uma escalada militar e buscar uma saída política para a crise. Ambos manifestaram disposição de aprofundar a parceria estratégica entre Rússia e Venezuela em áreas como cooperação militar, energética, econômica e diplomática, relação que vem se consolidando na última década como contrapeso às sanções ocidentais e ao isolamento imposto por Washington.

Do lado venezuelano, Delcy Rodríguez denunciou que o ataque causou vítimas civis e levou o governo a acionar a defesa integral da nação. A vice-presidenta afirmou que as forças do Estado foram mobilizadas e que o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e a Força Armada Nacional Bolivariana receberam instruções para proteger o território nacional diante da agressão.

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