
O relator especial das Nações Unidas para direitos humanos e contraterrorismo, Ben Saul, afirmou que o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro foram ilegais e defendeu que Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — seja investigado e submetido a um processo de impeachment. A declaração foi feita em uma postagem nas redes sociais e elevou o tom da condenação internacional ao episódio, que vem sendo denunciado como uma violação frontal do direito internacional e da soberania venezuelana.
Na publicação, Saul condenou diretamente a operação conduzida pelos EUA, classificando-a como agressão e sequestro. “Eu condeno a agressão ilegal dos Estados Unidos contra a Venezuela e a abdução ilegal de seu líder e de sua esposa”, escreveu ele, ao se referir também à captura da mulher de Maduro. A manifestação do relator, com linguagem dura, reforça o entendimento de que o caso ultrapassa o campo diplomático e pode ser tratado como violação grave de normas internacionais.
“Cada vida venezuelana perdida é uma violação do direito à vida”
Ben Saul também associou a operação a mortes ocorridas no contexto da ofensiva, sugerindo que o caso pode envolver responsabilidade direta do presidente norte-americano. “Cada vida venezuelana perdida é uma violação do direito à vida”, afirmou o relator da ONU, ao tratar as vítimas como evidência de transgressão ao direito fundamental previsto em tratados internacionais de direitos humanos.
A acusação, feita por uma autoridade vinculada ao sistema ONU, acrescenta pressão política e jurídica sobre Washington ao apontar que a ofensiva não foi apenas uma ação geopolítica, mas um evento com potenciais consequências criminais. No mesmo texto, Saul avançou na exigência de responsabilização institucional do chefe de Estado dos EUA: “O presidente Trump deve ser submetido a impeachment e investigado pelas supostas mortes”.
Escalada de críticas internacionais e questionamentos legais
A intervenção de Ben Saul tem peso simbólico e jurídico por vir de um relator especializado justamente em temas onde governos costumam justificar ações militares e operações externas. Ao qualificar o ataque como “agressão ilegal” e a captura de Maduro como “abdução ilegal”, Saul enfraquece qualquer tentativa de enquadrar o episódio como operação legítima sob o argumento de segurança internacional.
A denúncia também reforça uma reação internacional crescente que aponta violação do direito internacional, do princípio de soberania e das garantias mínimas previstas na Carta da ONU. Na prática, as declarações do relator alimentam o debate sobre responsabilização de líderes por decisões de guerra e ações externas que resultem em mortes ou violações de direitos.
Impeachment e investigação: pressão direta sobre a Casa Branca
Ao defender explicitamente o impeachment de Donald Trump, Ben Saul leva o episódio para o centro do debate político interno dos Estados Unidos e sugere que o Congresso norte-americano deveria agir. O relator não tratou a recomendação como mera opinião: ao falar em investigação e responsabilização por “supostas mortes”, apontou que haveria base para apuração formal.
Em paralelo, o termo “impeachment” carrega uma mensagem inequívoca: para Saul, não se trata apenas de um erro de política externa, mas de uma conduta grave e incompatível com o exercício do mandato presidencial. A fala também sinaliza que a crise entre EUA e Venezuela pode ganhar repercussão institucional dentro da própria potência envolvida.
Soberania venezuelana e o direito internacional sob ataque
Ao mencionar a “abdução” de Maduro e de sua esposa, Saul descreve o episódio como uma ruptura de normas fundamentais das relações entre Estados e das garantias mínimas de integridade e respeito à liderança de um país — independentemente de concordâncias políticas com o governo venezuelano. Na prática, a declaração sugere que a operação se aproxima de um ato de força unilateral, sem respaldo legal reconhecido internacionalmente.
Com isso, o caso ganha contornos ainda mais graves: deixa de ser apenas uma crise bilateral e passa a ser interpretado como um teste direto aos limites do poder de intervenção de uma superpotência e à eficácia do sistema internacional de proteção de direitos.



