ECONOMIA

Posts falsos tentam incentivar saques em massa do Banco do Brasil; entenda

Banco do Brasil. Foto: Reprodução

Mensagens falsas circulando em redes sociais e aplicativos de mensagens tentaram induzir correntistas a retirar dinheiro do Banco do Brasil (BB), segundo denúncia apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU). Com informações da BBC News Brasil.

As publicações, em vídeos, fotos e textos, incluíam frases como “Tire seu dinheiro do Banco do Brasil” e “Brasileiros sacando seu dinheiro pelo risco Moraes/Dino”.

Na segunda-feira (25), a AGU, acionada pela Procuradoria do Banco Central, encaminhou uma notícia-crime à Polícia Federal (PF), pedindo a abertura de investigação. Para o órgão, houve uma ação articulada de disparos massivos com o objetivo de “gerar caos no sistema financeiro nacional”.

Disparo coordenado nas redes

Monitoramento da empresa Palver, que analisou mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e 5 mil do Telegram, identificou aumento expressivo de mensagens sobre o Banco do Brasil na segunda quinzena de agosto. Segundo o cientista de dados Lucas Cividanes, da Palver, os conteúdos tinham como principal objetivo provocar pânico.

“Esse é um tema sensível para os brasileiros, vide o fantasma da inflação e do confisco das poupanças”, avaliou.

O pico ocorreu em 21 de agosto, quando se registraram 120 menções ao BB a cada 100 mil mensagens — um volume muito acima da média histórica.

Lei Magnitsky e a “tempestade perfeita”

O estopim para o aumento das mensagens foi a sanção da chamada Lei Magnitsky, aplicada nos EUA contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A lei prevê congelamento de bens e proibição de transações econômicas em território americano.

Como os ministros do STF recebem salário pelo Banco do Brasil, a instituição acabou associada ao caso. No mesmo período, o jornal Valor Econômico noticiou o cancelamento de um cartão de crédito de Moraes, informação que reforçou o clima de desinformação.

Para analistas, a campanha digital se intensificou após o ministro Flávio Dino determinar que leis estrangeiras não têm validade automática no Brasil, decisão que incluía a Lei Magnitsky.

Envolvimento de bolsonaristas

Entre os perfis que propagaram mensagens contra o Banco do Brasil, a AGU citou o advogado Jeffrey Chiquini e os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Um post de Chiquini no X dizia: “Meu conselho a você que tem conta no Banco do Brasil: tire seu dinheiro de lá”.

Esse tipo de publicação foi amplamente replicado em canais bolsonaristas, alimentando o discurso alarmista.

Advogado Chiquini diz que estava falando sobre investimentos em ações — Foto: Reprodução/Palver via BBC
Publicação do advogado Jeffrey Chiquini no X. Foto: Reprodução

O levantamento também mostrou que os primeiros sinais de ataque ao BB surgiram no dia 14 de agosto, quando o banco divulgou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no segundo trimestre — 60% menor que no mesmo período do ano anterior.

A queda foi atribuída ao aumento da inadimplência de pessoas físicas e do agronegócio, setor no qual o BB é o principal financiador.

Reação do Banco do Brasil e contenção da onda

Para conter o impacto, o Banco do Brasil divulgou nota em 19 de agosto reforçando que atua em “plena conformidade à legislação brasileira, às normas dos mais de 20 países onde está presente e aos padrões internacionais que regem o sistema financeiro”.

No dia 22, a instituição voltou a se pronunciar, dizendo que acompanha “o surgimento de publicações inverídicas e maliciosas” e que adotará medidas legais contra quem tentar prejudicar sua imagem.

“Declarações enganosas ou inverídicas que tenham como objetivo prejudicar a imagem do Banco do Brasil não serão toleradas”, afirmou o banco.

Desde então, o volume de mensagens negativas começou a diminuir, mas a investigação da Polícia Federal segue em andamento.

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