
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou, em entrevista ao portal InfoMoney, que os agentes públicos envolvidos no esquema criminoso no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) são todos ligados ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL):
O senhor foi designado para defender o governo na CPMI do INSS. É uma tarefa árdua?
O meu papel é coordenar a base do governo na CPMI, o que significa garantir a mobilização, a organização, ajudar na preparação dos parlamentares, da base do governo, para que eles tenham todas as informações necessárias para poder fazer o debate.
Essa preocupação veio depois daquela reviravolta na escolha do presidente e do relator da CPMI articulada pela oposição?
Os líderes do governo tem muitas tarefas, então, era necessário um parlamentar que ficasse dedicado de forma prioritária para os trabalhos da CPMI. É para ajudar o trabalho dos próprios líderes, não para substituir. (…)
Algumas mudanças na legislação foram feitas no governo Bolsonaro, mas houve um salto nos desvios no governo Lula. A que o senhor atribui isso?
Todas as mudanças foram feitas pelo governo Bolsonaro, inclusive essa que acabou com a necessidade da autorização da renovação foi de dezembro de 2022, no apagar das luzes, depois da eleição. O impacto das mudanças, naturalmente, ocorre a partir de 2023. Essas mudanças tonaram mais vulneráveis os órgãos de fiscalização e controle. A partir dessa situação é que surge a determinação do governo Lula de investigar, o que levou à operação e ao fim do esquema criminoso.
O senhor concorda com o plano de trabalho do relator, de começar a investigação no governo Dilma?
Não temos nada para esconder com relação ao governo Dilma. As medidas adotadas durante o governo Dilma foram no sentido de regulamentar os Acordos de Cooperação Técnica (ACT’s) e são muito claras na necessidade de autorização individual. Tanto é que nós não tivemos nenhum problema até 2019. Não tem nada para ser investigado. Nós estamos muito seguros de que as mudanças foram feitas durante o governo Bolsonaro e que os agentes públicos envolvidos nesse esquema criminoso são todos ligados ao governo anterior. (…)
O senhor é a favor de convocar ou convidar o ex-presidente Bolsonaro?
Depende de como a investigação avançar. Quem disse que comunicou ao Bolsonaro o que estava acontecendo foi o senador Izalci (PL-DF). Quem disse que o Bolsonaro sabia de tudo o que estava acontecendo aqui foram parlamentares da própria base do governo Bolsonaro. Se, no decorrer das investigações, nós chegarmos à conclusão que de alguma maneira teve a participação dele, ele pode ser chamado. Agora, isso só vai acontecer se, no decorrer da investigação, ficar evidente ou se existirem indícios de que ele efetivamente participou diretamente desse esquema criminoso. (…)
