
A Polícia Federal elaborou um estudo sobre o condomínio onde mora Jair Bolsonaro (PL) e concluiu que o ex-presidente teria condições de escapar para a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Segundo croquis feitos a partir de imagens aéreas por drones, ele poderia pular o muro de vizinhos e sair escondido em um carro, já que os veículos não são revistados na portaria. Com informações da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.
A sede diplomática norte-americana fica a cerca de dez minutos da residência. Os policiais destacaram que os muros laterais da casa são vigiados, mas a parte dos fundos, onde fica o jardim, permitiria uma fuga sem ser notada.
Nesse cenário, Bolsonaro poderia acessar a casa de vizinhos, entrar em um automóvel, se abaixar e seguir em direção à embaixada. O uso da tornozeleira eletrônica, na avaliação da PF, não impediria o deslocamento rápido.
Diante do risco, a corporação defendeu a permanência de policiais federais dentro da residência do ex-mandatário, em tempo integral. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou a solicitação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em ofício enviado na terça-feira (26).

A Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, discordou do pedido. Em manifestação enviada nesta sexta-feira (29), o procurador-geral Paulo Gonet reconheceu que há risco de fuga, mas avaliou que a prisão domiciliar e a vigilância externa já são suficientes para impedir qualquer tentativa. Ele argumentou que não há registro de problemas de segurança dentro da residência de Jair Bolsonaro.
A medida de reforço foi sugerida após o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), enviar um ofício à PF relatando ter recebido informações sobre um possível plano de fuga. A comunicação levou os investigadores a revisar a situação do monitoramento no condomínio.
Bolsonaro está em prisão domiciliar preventiva e é acusado de envolvimento em uma trama golpista após a derrota nas eleições de 2022. Seu julgamento pelo STF está marcado para setembro, e a vigilância sobre sua residência permanece em debate entre os órgãos de investigação e controle.