
A investigação da Operação Carbono Oculto, considerada a maior já realizada contra o PCC, revelou que ao menos 19 postos de combustíveis estão ligados ao esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa. Segundo a Receita Federal, o grupo utilizava mais de mil postos para movimentar valores ilícitos, seja em espécie ou por meio de maquinhas, repassando o dinheiro para contas controladas pela organização. Esses estabelecimentos aparecem em decisões da Justiça de São Paulo, que detalham a rede de empresários e laranjas envolvidos no caso. Com informações do G1.
Sete postos pertencem a Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad Hussein Mourad, apontado como líder do esquema. Também foram identificados dois postos em nome de Luciane Gonçalves Brene Motta de Souza e Alexandre Motta de Souza, suspeitos de fraudes e adulteração de combustível. Outros quatro postos são atribuídos a Renan Cepeda Gonçalves, ligado à Rede Boxter, mas que na Receita Federal aparecem registrados em nome de Tharek Majide Bannout, alvo da operação e citado como parceiro do PCC.
Entre os estabelecimentos listados estão Auto Posto Vini Show (GO), Auto Posto Conceição (SP), Auto Posto Azul do Mar (SP), Auto Posto Texas (SP) e Auto Posto Bixiga (SP), este último associado a fraudes com metanol. Há ainda o Auto Posto S3 Juntas, de Ricardo Romano, e o Auto Posto S-10, atribuído a José Carlos Gonçalves, conhecido como Alemão. Segundo a Justiça, esses empresários teriam ligação direta com a lavagem de capitais e financiamento do tráfico.
O Auto Posto Elite de Piracicaba também foi incluído na lista e, apesar de estar registrado em nome de Pedro Furtado Gouveia Neto, as investigações indicam ligação com Armando Hussein Mourad. Em alguns casos, os estabelecimentos seguem em atividade, como o Auto Posto Yucatan, em Arujá, e o próprio Elite, em Piracicaba. Já o Auto Posto Bixiga, em São Paulo, estava fechado no momento da operação.

A Receita Federal foi questionada sobre o motivo de parte desses postos ainda funcionar mesmo após terem sido citados na investigação, mas o órgão não se pronunciou. Procurados, os nomes envolvidos e suas defesas também não responderam às tentativas de contato da reportagem.
As acusações envolvem crimes como lavagem de dinheiro, fraude em bombas de combustíveis, adulteração de produtos e blindagem patrimonial em favor do PCC.
A Justiça afirma que os investigados foram “fundamentais para a expansão do grupo e para a ocultação de capitais”, reforçando que a operação ainda está em andamento para apurar todos os vínculos e ramificações.