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O povo queria ou não o golpe de 1964? Confira Ibope da época

Pesquisas da época mostram o que o povo brasileiro pensava do governo João Goulart nos dias que antecederam o golpe

O golpe militar de 1964 no Brasil é um evento histórico que carrega consigo diversas controvérsias e interpretações. Enquanto alguns defendem que o golpe atendeu a um clamor popular, outros argumentam que foi uma ação contra a vontade da maioria da população.

Neste artigo, iremos analisar os resultados de pesquisas realizadas na época pelo Ibope, a fim de compreender melhor o posicionamento do povo brasileiro em relação ao governo João Goulart e ao golpe.

Data do golpe e a primeira mentira

Uma curiosidade importante sobre o golpe militar de 1964 é a data em que ele é popularmente conhecido. Enquanto o golpe foi efetivado no dia 1º de abril, o tradicional Dia da Mentira, é amplamente divulgado como tendo ocorrido em 31 de março. Essa discrepância já nos mostra que a narrativa oficial sobre o golpe possui elementos de distorção e manipulação.

O clamor popular como uma mentira repetida

Outra mentira comumente disseminada é a de que o golpe militar atendeu a um clamor popular. No entanto, essa afirmação não se sustenta quando analisamos as pesquisas de opinião realizadas na época. Em 2019, a nota oficial das Forças Armadas fazia referência ao “clamor da ampla maioria da população e da imprensa brasileira” como justificativa para o golpe. No entanto, essa afirmação é questionável.

Uma pesquisa do Ibope realizada com eleitores de oito capitais entre os dias 9 e 26 de março de 1964 revelou que 49,8% dos entrevistados admitiam votar em Jango caso ele pudesse se candidatar à reeleição, enquanto 41,8% não votariam.

Essa diferença de 8 pontos percentuais é significativa e indica que, mesmo com toda a campanha contrária ao governo realizada pela imprensa, a maioria dos entrevistados ainda considerava votar em Jango.

Além disso, outra pesquisa do Ibope na mesma época revelou que 45% dos entrevistados avaliaram o governo João Goulart como “ótimo e bom”, 24% como “regular” e apenas 16% como “péssimo”. Fica evidente, portanto, que a afirmação de que o golpe atendeu ao “clamor da ampla maioria da população” é infundada.

As influências e interesses por trás do golpe

Ao analisar as circunstâncias que envolveram o golpe militar de 1964, é possível identificar algumas forças políticas e sociais que tiveram influência na sua implementação. O apoio da burguesia, da imprensa e da igreja católica reacionária foram fatores determinantes para a consolidação do golpe.

A famosa Marcha da Família com Deus pela Liberdade, realizada em resposta ao discurso de Jango na Central do Brasil em 13 de março de 1964, foi um exemplo claro da união dessas forças contra o governo.

No entanto, é importante ressaltar que essas forças representavam uma parcela específica da sociedade brasileira e não necessariamente refletiam a vontade do povo como um todo. Uma pesquisa do Ibope realizada no mesmo período revelou que 59% dos entrevistados eram favoráveis às medidas anunciadas por Jango no histórico comício da Central do Brasil, que incluíam a desapropriação de terras e o encampamento das refinarias estrangeiras.

Conclusão

Com base nas pesquisas de opinião realizadas na época, podemos concluir que a afirmação de que o povo brasileiro queria o golpe militar de 1964 é uma distorção da realidade. As pesquisas do Ibope revelaram que, mesmo diante da campanha contrária ao governo realizada pela imprensa, a maioria dos entrevistados ainda considerava votar em Jango.

Além disso, as medidas propostas por Jango no comício da Central do Brasil também contavam com o apoio da maioria da população.

Com Revista Fórum

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