
A imposição por Jair Bolsonaro (PL) da pré-candidatura do filho “01”, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na disputa presidencial movimento o cenário eleitoral no Centrão que, sob elogios de Ciro Nogueira (PP-PI) a Lula e flertes de Gilberto Kassab, presidente do PSD, ao Republicanos, de Tarcísio Gomes de Freitas, começa a isolar o senador na ultradireita.
Após encontro no fim de dezembro para dizer que o PP pode se afastar de Flávio por um acordo para sua reeleição no Piauí, Ciro Nogueira mudou o tom e elogiou Lula em entrevista ao SBTNews neste domingo (9).
“Não sou inimigo do presidente Lula. Acho que ele foi um grande presidente nas primeiras gestões, mas não voltou da forma que o brasileiro tinha de expectativa”, afirmou.
O presidente do PP ainda sinalizou que a sigla não deve embarcar numa candidatura Flávio que venha apenas “para defender um legado, para falar para sua bolha, não unificar, não falar para maioria”.
“Muito mais importante e vai ser definitivo é como vai ser a campanha do Flávio Bolsonaro. Se ele vier apenas para defender um legado, para falar para sua bolha, não unificar, não falar para maioria, não vai contar com nosso apoio”, disse.
Nogueira ainda voltou a criticar Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por sua atuação fracassada junto ao governo Donald Trump para impor sanções ao Brasil em troca da liberdade a Jair Bolsonaro.
Para Nogueira, o filho “02” do ex-presidente “deu discurso de soberania para Lula”. “Ele errou. Se não fosse Eduardo, Lula nem seria candidato”, emendou.
Centrão se afasta
As declarações se dão em um momento em que partidos do Centrão não escondem mais o descontentamento com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Na entrevista, Nogueira afirmou ainda que deve levar o União Brasil, da federação com Antonio Rueda, a reboque na decisão que tomará quanto ao Progressistas.
Nogueira voltou a lamentar que a candidatura de Tarcísio Gomes de Freitas tenha sido escanteada por Bolsonaro e disse ainda não entender a “estratégia” de Gilberto Kassab de ter três presidenciáveis no PSD.
“Se o Tarcísio fosse nosso candidato hoje, estava eleito porque aglutinava muito mais o centro com a direita. Agora é um direito do maior líder da direita de escolher o candidato, já que ele acha que o Tarcísio tem a missão de ser candidato à reeleição em São Paulo”, afirmou.
O presidente do PP ainda comparou Lula e e Bolsonaro aos ex-presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubistcheck e diz desconfiar de uma candidatura de terceria via.
“A força eleitoral de Lula e Bolsonaro é muito importante. O Brasil teve quatro grandes líderes populares: Getúlio (Vargas), Juscelino (Kubitscheck), Lula e Bolsonaro. E pela primeira vez, dois deles se enfrentaram. Não vejo a menor possibilidade de terceira via. A disputa vai ser entre Flávio e Lula. Se a eleição fosse amanhã, ninguém sabe quem seria o vencedor”, afirmou.
Na semana passada, em entrevista à Jovem Pan, Nogueira deu mais um sinal da aproximação de Lula, tratado como “grande líder” por ele, e pressionou Flávio.
“[Flávio] vai enfrentar o homem público que mais ganhou eleições na nossa história, um grande líder como o presidente Lula, que tem que ter uma campanha completamente diferente, que é a que o pai perdeu há três anos atrás, uma campanha que unifica o Brasil, que foque no futuro desse país, para que ele possa ter reais chances de ganhar essa eleição”.
Flerte com Republicanos
Enquanto Ciro Nogueira dá sinais trocados no apoio a Flávio Bolsonaro, Gilberto Kassab avança sobre o Centrão em sua estratégia de tentar atrair novamente Tarcísio, em uma traição contra Bolsonaro, ou negociar o apoio com seu candidato – Ratinho Jr, do Paraná, se o governador paulista seguir “submisso” ao ex-presidente – para se colocar como fiel da balança em um segundo turno entre Flávio e Lula, negociando cargos em troca de apoios.
Com um pé no governo – comandando o Ministério de Portos e Aeroportos, com Silvio Costa Filho – e outro no bolsonarismo – com Tarcísio em São Paulo e Damares Alves, entre outros, no Congresso -, o Republicanos não se mostrou disposto a embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em mais de uma ocasião, Marcos Pereira, bispo licenciado da Igreja Universal e presidente da sigla, demonstrou descontentamento com a pré-candidatura de Flávio e sinalizou que o Republicanos não deve entrar na composição.
“Quando você diz que a direita fecha com o Bolsonaro, com o Flávio Bolsonaro, não está tudo certo ainda. Eu acho que não tá ainda fechado; pelo contrário, está dividido”, afirmou à revista Veja no final de janeiro.
O movimento abriu espaço para Kassab, que fleta com a sigla para atrair parte do eleitorado evangélico para fortalecer a pré-candidatura da terceira via e isolar Flávio na ultradireita.
Kassab ainda tenta uma articulação com a federação PP e União e deve se encontrar com Ciro Nogueira para explicar a “estratégia” eleitoral mais ao Centro, como quer o mandatário do PP.
Em entrevista ao Canal Livre na noite deste domingo (8), Kassab desdenhou da candidatura do filho de Bolsonaro justamente pela dificuldade de avançar no centro político.
“Eu acredito que nós somos muito mais competitivos no segundo turno do que o Flávio”, afirmou, ressaltando que acredita em um “tropeço” do bolsonarismo e reafirmando a candidatura do PSD.



