
O novo valor do salário mínimo nacional, de R$ 1.621, passou a valer a partir desta quinta-feira (1º). O reajuste foi oficializado por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de dezembro e representa um aumento de R$ 103 em relação ao piso anterior, de R$ 1.518.
A alta corresponde a um reajuste de 6,79% e segue a regra de valorização retomada em 2024, que considera a inflação acumulada e o crescimento da economia. O objetivo da política é preservar o poder de compra e garantir ganho real aos trabalhadores e beneficiários vinculados ao piso nacional.
A inflação considerada no cálculo foi a medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acumulou 4,18% nos 12 meses até novembro de 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse índice é o mínimo constitucional para correção do salário mínimo.
Além da inflação, o cálculo incorpora o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para o salário mínimo de 2026, foi considerado o desempenho da economia em 2024, quando o PIB cresceu 3,4%, de acordo com dados revisados pelo IBGE.
Esse percentual, no entanto, não foi aplicado integralmente. Pelas regras do arcabouço fiscal, o ganho real acima da inflação está limitado a 2,5%, o que reduziu o reajuste final. Sem essa limitação, o salário mínimo chegaria a R$ 1.636, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O salário mínimo serve de referência para salários e uma série de benefícios sociais. Aposentadorias, pensões e auxílios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pagos pelo piso, além do Benefício de Prestação Continuada (BPC), passam automaticamente a acompanhar o novo valor.
Também são impactados o valor mínimo do seguro-desemprego, o abono do PIS/Pasep, a contribuição mensal do Microempreendedor Individual (MEI) e outros limites legais que utilizam o salário mínimo como base de cálculo.
De acordo com o Dieese, 61,9 milhões de pessoas têm renda referenciada no salário mínimo no Brasil. Desse total, 29,2 milhões são beneficiários do INSS, 17,6 milhões são empregados formais, 10,7 milhões trabalham por conta própria e 3,8 milhões são trabalhadores domésticos.
Ainda segundo a entidade, o reajuste que passa a valer em 2026 deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia, sendo quase R$ 40 bilhões destinados ao pagamento de benefícios previdenciários. Desde 2002, quando o mínimo era de R$ 200, o aumento acumulado do salário mínimo chegou a 710,5%, quase o dobro da inflação do período.
Editado por: Geisa Marques do BdF



