POLÍTICA

Master: Sicário e cunhado de Vorcaro têm sigilos quebrados pela CPI do Crime Organizado

Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, e o pastor Fabiano Zettel. Foto: reprodução

A CPI do Crime Organizado no Senado aprovou, nesta quarta-feira (11), a quebra de sigilo do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, no âmbito das investigações relacionadas ao caso do Banco Master. A comissão apura suspeitas de crimes envolvendo ameaça, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas de informática atribuídos a uma organização criminosa ligada ao ex-banqueiro.

As medidas têm alcances diferentes. Para Fabiano Zettel, foram autorizadas as quebras de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático. Já em relação a Luiz Phillipi Mourão, a decisão contempla apenas os sigilos bancário e fiscal. As medidas foram aprovadas em bloco pela comissão, sem votação nominal, e nenhum senador integrante da CPI apresentou objeção.

Zettel e Mourão foram presos na semana passada durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação mira um suposto esquema de obtenção de informações sigilosas e intimidação de críticos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.

Luiz Phillipi Mourão morreu dois dias após uma tentativa de suicídio na prisão, segundo a Polícia Federal. Ele estava sob custódia da corporação, chegou a ser socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu. As circunstâncias da morte estão sendo investigadas, e a CPI solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça informações sobre o caso.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A comissão também aprovou a convocação para depoimento de Marilson Roseno da Silva, funcionário do Banco Central suspeito de repassar informações privilegiadas a Vorcaro. Segundo as investigações, ele atuaria em conluio com outros dois servidores.

Fabiano Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã do ex-banqueiro. Pastor evangélico e empresário, ele atua em negócios ligados ao setor de alimentos e a uma academia de luxo. O empresário também se destacou por doações eleitorais a políticos da direita. Jair Bolsonaro recebeu R$ 3 milhões de Zettel, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi destinatário de R$ 2 milhões.

A prisão realizada na semana passada foi a segunda de Zettel. A primeira ocorreu em janeiro, durante outra fase da Operação Compliance Zero, quando ele foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai.

As investigações também apontam que Mourão abastecia Vorcaro com documentos e dados sigilosos de investigações. Segundo informações obtidas a partir da perícia no celular do ex-banqueiro, ele teria recebido dados de ao menos três apurações em andamento.

Mourão também teve atuação no mercado financeiro e foi sócio da Maximus Digital Fomento Mercantil Ltda., empresa que prometia retornos financeiros acima da média e acabou prejudicando clientes.

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