POLÍTICA

Lula lamenta a morte de Luis Fernando Verissimo: “Um dos maiores”

Lula, presidente do Brasil, e Luis Fernando Verissimo, que morreu neste sábado. Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais na manhã deste sábado (30) para lamentar a morte de Luis Fernando Verissimo, um dos mais conhecidos cronistas e escritores do país. “Luis Fernando Veríssimo, um dos maiores nomes de nossa literatura e nosso jornalismo, nos deixou hoje aos 88 anos de idade”, escreveu o petista no X.

Lula destacou que Verissimo foi “dono de múltiplos talentos, cultivou inúmeros leitores em todo o Brasil com suas crônicas, contos, quadrinhos e romances. Criou personagens inesquecíveis, a exemplo do Analista de Bagé, As Cobras e Ed Mort”.

Em seguida, Lula destacou a contribuição do escritor à democracia: “Sua descrição bem-humorada da sociedade ganhou espaço nas livrarias e na TV, com a Comédia da Vida Privada. E, como poucos, soube usar a ironia para denunciar a ditadura e o autoritarismo; e defender a democracia. Eu e Janja deixamos o nosso carinho e solidariedade à viúva Lúcia Veríssimo – e a todos os seus familiares”.

Verissimo morreu em Porto Alegre, aos 88 anos, após complicações de saúde. Ele estava internado na UTI do Hospital Moinhos de Vento havia três semanas, com princípio de pneumonia.

Desde 2021, quando sofreu um acidente vascular cerebral, sua fala ficou comprometida. Também enfrentava a doença de Parkinson, problemas cardíacos e, em 2020, foi submetido a cirurgia para retirada de um câncer ósseo na mandíbula. Apesar das limitações, mantinha o hábito de ler jornais diariamente, acompanhava noticiários e seguia torcendo pelo Internacional, paixão que atravessou toda sua vida.

Autor de mais de 80 livros e responsável pela venda de 5,6 milhões de exemplares, Verissimo deixou personagens marcantes da literatura nacional, como o psicanalista Analista de Bagé, a irônica Velhinha de Taubaté, o detetive Ed Mort e a sátira da Família Brasil. Com leveza e crítica social, transitou entre crônicas, romances, quadrinhos, roteiros de TV, teatro e até composições musicais.

Nascido em Porto Alegre em 26 de setembro de 1936, filho do escritor Érico Verissimo e de Mafalda Volpe, teve contato precoce com a literatura, mas sua primeira paixão foi a música. Adolescente nos Estados Unidos, estudou saxofone e se tornou amante do jazz, que seguiu cultivando ao longo da vida.

No Brasil, começou como revisor e redator nos anos 1960. Em 1969, já tinha coluna própria no jornal Zero Hora e, depois, passou a escrever em O Estado de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.

Seu primeiro livro, “O Popular” (1973), abriu caminho para uma trajetória marcada por coletâneas de crônicas que rapidamente se tornaram best-sellers. Nos anos 1980, o lançamento de “O Analista de Bagé” transformou-o em fenômeno editorial. Pouco depois, criou a Velhinha de Taubaté, que simbolizava a credulidade política da sociedade. Em 1994, “Comédias da Vida Privada” virou série de TV, escrita por Jorge Furtado e dirigida por Guel Arraes, ampliando sua popularidade.

Na década seguinte, consolidou-se como romancista com obras como “Gula – O Clube dos Anjos” (1998) e “Borges e os Orangotangos Eternos” (2000).

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