
A América Latina entra em 2026 sob o peso da inflação, da violência e de uma intensa polarização política. Em meio a esse cenário desafiador, a pesquisa Latam Pulse, realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, aponta um paradoxo: dois presidentes se destacam com aprovação significativa, sustentando uma base social mais ampla que seus rivais regionais.
Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Claudia Sheinbaum, do México, lideram o ranking de aprovação. A pesquisa, que coletou dados entre 19 e 25 de fevereiro de 2026, revela que, em um continente onde a desaprovação é a maioria em diversos países, esses dois líderes conseguem manter um apoio considerável, conforme divulgado pela pesquisa Latam Pulse.
O levantamento oferece um panorama detalhado da percepção pública sobre os governos na região, avaliando não apenas a aprovação pessoal dos presidentes, mas também a avaliação de seus respectivos governos. Os resultados indicam tendências importantes sobre a estabilidade política e o humor social em países-chave da América Latina.
Lula Mantém Vantagem no Brasil, Mas Enfrenta Ambiente Dividido
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registra 47% de aprovação e 52% de desaprovação. Na avaliação de governo, 41% consideram a gestão como excelente ou boa, enquanto 48% a classificam como ruim ou muito ruim. Esses números demonstram uma sustentação política relevante, porém, indicam um cenário de desgaste e disputa constante por narrativa, especialmente em temas sensíveis como segurança pública, custo de vida e confiança no futuro.
Sheinbaum Lidera no México com Avaliação Positiva Confortável
O México apresenta um cenário distinto, com Claudia Sheinbaum liderando a região em aprovação. Ela registra 56% de aprovação e 38% de desaprovação. A avaliação de seu governo é ainda mais positiva, com 51% considerando o desempenho excelente ou bom, e apenas 29% o avaliando como ruim ou muito ruim. Este resultado coloca a presidente mexicana em uma posição relativamente mais sólida, com maior folga tanto na aprovação pessoal quanto na percepção sobre a gestão governamental.
Cenário Regional: Desaprovação Forte em Chile, Colômbia, Argentina e Peru
Fora do eixo Brasil-México, o cenário político na América Latina torna-se mais desafiador. Na Argentina, Javier Milei apresenta 42% de aprovação e 55% de desaprovação, com 35% avaliando seu governo como excelente/bom e 53% como ruim/muito ruim. No Chile, Gabriel Boric registra 36% de aprovação e 64% de desaprovação, com 30% considerando seu governo excelente/bom e 55% ruim/muito ruim.
Na Colômbia, Gustavo Petro tem 40% de aprovação e 54% de desaprovação, com 37% de avaliação excelente/bom e 46% ruim/muito ruim. O Peru se destaca como o caso mais crítico, com José Jerí somando 25% de aprovação e 65% de desaprovação, e apenas 9% avaliando seu governo como excelente/bom e 50% como ruim/muito ruim. Na Venezuela, Delcy Rodríguez apresenta 37% de aprovação e 44% de desaprovação, com 24% de avaliação excelente/bom e 52% ruim/muito ruim.
Desempenho por Campo Ideológico e a Prova do Cotidiano
A pesquisa sugere que os governos identificados com o campo progressista se dividem em dois grupos: uma liderança relativa, representada por Lula e Sheinbaum, e um patamar intermediário sob pressão, com Petro e Boric. No campo liberal/ultradireita, Milei demonstra apoio relevante, mas sem reverter o quadro de desaprovação.
Onde a crise de governabilidade é mais aguda, como no Peru, a divisão ideológica perde espaço para a percepção de colapso do Estado no dia a dia. Isso reforça a ideia de que, no continente, a ideologia importa, mas a prova decisiva para os governos segue sendo o cotidiano, com foco em preço, segurança e a sensação de futuro para a população.



