
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva criticou as ações intervencionistas de seu homólogo norte-americano Donald Trump, acusando-o de tentar “governar o mundo” por meio das redes sociais. A declaração foi dada nesta terça-feira (20/01) durante um evento no Rio Grande do Sul, onde o petista cumpriu agenda para a inauguração de unidades habitacionais no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida.
“Já perceberam que o Trump quer governar o mundo pelo Twitter?”, questionou. “É fantástico. Todo dia ele fala uma coisa, e todo dia o mundo fala da coisa que ele falou. Todo dia. Vocês acham que isso é possível?”
A crítica ocorre em meio à pendência do Planalto, que todavia não deu um parecer sobre o convite do republicano para integrar o chamado “Conselho da Paz”. O grupo tem como alegada proposta a supervisão da reconstrução da Faixa de Gaza, região palestina destruída ao longo do genocídio promovido por Israel. Contudo, a minuta do “estatuto” não menciona de forma explícita o território palestino, detalhe que preocupa algumas lideranças mundiais que também receberam o chamado.
A Opera Mundi, fontes do governo informaram que o convite “ainda está em análise”.
Durante o evento no Rio Grande do Sul, Lula também fez críticas ao uso das redes sociais para a disseminação de mentiras e a manipulação da opinião pública. O presidente brasileiro tem questionado as ações da Casa Branca especialmente por conta da agressão militar contra a Venezuela, em 3 de janeiro, que culminou no sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Em recente artigo publicado no jornal The New York Times no domingo (18/01), o petista condenou o ataque dos Estados Unidos e alertou para os riscos do uso recorrente da força militar nas relações internacionais.
“Quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas”, escreveu Lula ao veículo norte-americano. Segundo o líder brasileiro, chefes de Estado ou de governo – de qualquer país – podem ser responsabilizados por ações que prejudiquem a democracia e os direitos fundamentais.
“Nenhum líder tem o monopólio do sofrimento de seu povo. Mas não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”, afirmou. Acrescentou também que as ações unilaterais ameaçam a estabilidade a nível mundial, perturbam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade das nações de enfrentar desafios transnacionais. Do Opera Mundi



