
O presidente Lula conversou por telefone com o presidente Donald Trump nesta segunda-feira, por volta das 11h (horário de Brasília), em um contato que tratou da relação bilateral e de temas globais.
Segundo a nota do governo brasileiro, “Ao longo de cinquenta minutos, os dois líderes abordaram temas relacionados à relação bilateral e à agenda global”, e trocaram impressões sobre economia, segurança e a situação na Venezuela.
Durante a conversa, os dois acordaram a realização de uma visita do presidente Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul, em data a ser fixada em breve.
conforme nota publicada pelo governo do Brasil.
O que foi dito na conversa
De acordo com o comunicado do Palácio do Planalto, “Os dois presidentes acordaram a realização de uma visita do presidente Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro, em data a ser fixada em breve”.
No texto, o governo afirma ainda que “Os presidentes trocaram informações sobre indicadores econômicos dos dois países, que apontam boas perspectivas para as duas economias”, e que Trump considerou o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil positivo para a região como um todo.
Sobre segurança, a nota registra que “Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano.”
Conselho da Paz, proposta de Lula e reação do Itamaraty
O comunicado trata também do convite, feito pelos EUA, para que o Brasil participe do Conselho da Paz, órgão pensado para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza.
Na conversa, “Ao comentar o convite formulado ao Brasil para que participe do Conselho da Paz, Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina”.
Fontes do Itamaraty ouvidas pela reportagem indicam resistência à proposta, com um diplomata afirmando, em termos diretos, “Tudo aponta para uma negativa”.
O mesmo interlocutor descreveu o projeto como um “clube de notáveis que custa um bilhão de dólares”, e questionou, sobre o aspecto humanitário, “O que vão fazer com elas?”, em referência às cerca de duas milhões de pessoas que vivem na Faixa de Gaza.
Interesses geopolíticos e recursos naturais
A reportagem recorda que há histórico de exploração de recursos na região, contextualizando a preocupação citada por diplomatas brasileiros.
Segundo o texto levantado pela fonte, “Em 1999, o British Gas Group (BG) iniciou a exploração do campo de gás Gaza Marine” e, em 2000, “foram descobertas reservas de 1,4 trilhão de pés cúbicos de gás natural” no campo.
Essa referência é usada internamente para levantar dúvidas sobre possíveis interesses econômicos por trás do Conselho da Paz e sobre a real garantia de recuperação da vida cotidiana para a população palestina.
Próximos passos na agenda bilateral
Além do tema do Conselho da Paz, a nota do governo destaca que os dois mandatários saudaram o “bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros”.
Com a proposta de cooperação em segurança e o acerto para a visita presidencial a Washington, Brasília e Washington abrem uma janela para aprofundar diálogo econômico e de combate ao crime transnacional.
Resta acompanhar se o Brasil formalizará a recusa à participação no Conselho da Paz, e como essa posição se articulará no âmbito de uma eventual reforma mais ampla das Nações Unidas, tema que Lula também mencionou durante a conversa.



