
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu pessoalmente a articulação para cassar o mandato do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde março e atua contra interesses nacionais ao apoiar tarifas impostas pela Casa Branca contra o Brasil. Em entrevista à Rádio Itatiaia na sexta-feira (29), Lula afirmou que o parlamentar “vai passar para a história como o maior traidor da história desse país. Aliás, um dos maiores traidores da pátria do mundo”.
Até então, o movimento vinha sendo conduzido por aliados próximos, como Gleisi Hoffmann, ministra de Relações Institucionais, e Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara. Lindbergh, que também ingressou com ações no Supremo Tribunal Federal (STF), protocolou diversos pedidos de cassação no Legislativo.
Lula revelou que já conversou sobre o tema com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com outros parlamentares. “Ele não pode exercer o mandato dele fora do Brasil. Eu já falei com o presidente Hugo Motta, já falei com vários deputados, de que é extremamente necessário cassar o Eduardo Bolsonaro”, declarou o petista.
Segundo Igor Gadelha, do Metrópoles, interlocutores do Planalto indicam que Lula enxerga a cassação de Eduardo como “questão de honra”.
O presidente atribui ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) papel central na imposição do tarifaço estadunidense contra produtos brasileiros, anunciado pelo governo Donald Trump, que incluiu sobretaxa de 50% sobre commodities e manufaturados, afetando setores como café, carne e aço.
As declarações ocorreram durante agenda oficial em Contagem (MG), onde Lula entregou obras do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na ocasião, também comentou os processos que tramitam contra Jair Bolsonaro. Segundo ele, o ex-presidente responde na Justiça por seus próprios atos, sem interferência do atual governo.
“Não somos nós que estamos processando o ex-presidente, é a bobagem que ele fez que está resultando em um processo contra ele, com denúncias e delações do próprio pessoal dele”, disse.
O petista ressaltou que os processos decorrem da tentativa de golpe de Estado ligada aos atos de 8 de janeiro de 2023. Em novembro de 2024, a Polícia Federal indiciou Bolsonaro por conspiração golpista e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.
Em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia ao STF, que foi aceita em março, tornando o ex-presidente réu junto com sete aliados. O processo inclui acusações de organização criminosa, deterioração de patrimônio tombado e outros crimes.
Em agosto, o ministro Alexandre de Moraes determinou prisão domiciliar contra Bolsonaro após descumprimento de medidas cautelares. O ex-presidente teria voltado a se manifestar em atos de apoiadores, contrariando decisão judicial. Moraes justificou que a prisão domiciliar buscava “impedir coação, obstrução e riscos à soberania nacional”.