
Os Estados Unidos anunciaram uma nova revogação de vistos de funcionários públicos do governo do Brasil, agora ligados ao programa Mais Médicos. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (13/8) pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chefe da diplomacia dos EUA.
Em meio a essa ofensiva contra a participação de médicos cubanos, o documentário “Dr. Melgaço”, produzido pelo DCM, mostra como o programa transformou o atendimento de saúde em Melgaço, cidade do Pará que ostenta o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.
Dirigido pela documentarista Alice Riff, o filme acompanha a rotina de Maribel Herrera e Maribel Saborit — apelidadas de “as Maribeis” pela população local. As gravações ocorreram ao longo de oito dias e incluíram entrevistas com mais de 50 pessoas, entre elas o prefeito Adiel Moura de Sousa, o médico Elton Silva, outros profissionais da área e moradores.
Antes da chegada das cubanas, Melgaço contava com apenas dois médicos, que se revezavam quinzenalmente para atender cerca de 25 mil habitantes. A situação era agravada pelo fato de que 70% da população vive na zona rural, longe da unidade básica de saúde.
Segundo as médicas, a pobreza, a ausência de infraestrutura e a falta de higiene são os principais desafios. Dados do IBGE indicam que apenas 1,3% das casas na zona rural e 4,8% na zona urbana têm saneamento básico considerado “adequado”. Mesmo assim, elas defendem que é possível atuar na promoção e prevenção da saúde a partir da abordagem da Medicina de Família.
O impacto foi imediato: de acordo com o prefeito, o trabalho preventivo reduziu a sobrecarga no hospital municipal, que chegou a registrar dias sem nenhuma internação.
O documentário “Dr. Melgaço” está disponível gratuitamente no YouTube e oferece um retrato de como políticas públicas de saúde — mesmo sob ataques externos — podem alterar de forma concreta a vida de comunidades marginalizadas no Brasil.