
O deputado democrata Seth Moulton, de Massachusetts, ex-fuzileiro naval e integrante do Comitê das Forças Armadas da Câmara, resumiu em duas frases a entrevista de ontem de Donald Trump: “A gente vai parar [pra pensar] por um segundo? Isso é insano”.
Moulton referiu-se ao fato de que Trump, perguntado agora sobre quem governa a Venezuela, apontou para o grupo que estava atrás de si: o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hesgeth, o diretor da CIA John Ratcliffe, o sub-chefe da Casa Civil Stephen Miller e o general Dan Caine, que comanda o Estado Maior das Forças Armadas.
Nenhum deles tem qualquer experiência administrativa em tocar um país caribenho de 34 milhões que, aliás, ainda tem um governo e instituições funcionando.
Improviso total
Moulton referiu-se aos diferentes argumentos de Trump para cercar e agora sequestrar o presidente da Venezuela e esposa:
Não teve plano algum. Trump mentiu desde o início. Primeiro disse que não faria troca de regime. É o que ele está tentando fazer. Ele disse que era uma guerra sobre drogas, mas o fluxo de drogas vai continuar. Ele disse que era sobre fentanil, mas o fentanil não vem da Venezuela. Ele disse que era sobre cocaína, mas a cocaína da Venezuela vai para a Europa.
Moulton confirmou que recebeu um briefing de Marco Rubio, mas que o secretário de Estado mentiu o tempo todo, dizendo que não haveria troca de regime, nem invasão terrestre.
Ontem, na entrevista coletiva, Trump disse que se o governo da Venezuela não se render ou cair, ele não vê nenhum problema em despachar soldados para uma guerra em solo.
O deputado concluiu:
Talvez seja sobre petróleo, estão tentando roubar o petróleo [da Venezuela], mas não temos certeza porque nada do que Trump diz é verdade.
Na entrevista de ontem Trump também repetiu três mentiras que usou como justificativa para o ataque: que Maduro comanda um cartel de traficantes; que a Venezuela abriu presídios, asilos e hospitais psiquiátricos para enviar os ocupantes aos Estados Unidos; que o governo em Caracas tenha relação com o Bonde de Aragua, uma facção local. Com Revista Fórum



