
A Polícia Federal investiga a utilização de recursos ligados à Reag Investimentos na compra de um imóvel de alto padrão em Brasília por Caio Carvalho Barros, filho do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A apuração, revelada com exclusividade pelo portal Vero Notícias, envolve a aquisição de um apartamento duplex avaliado em cerca de R$ 10 milhões no bairro Noroeste, uma das regiões mais valorizadas da capital.
Documentos indicam que Caio Barros, advogado do escritório Ibaneis Advogados e Consultoria, comprou o imóvel de 467 metros quadrados em 19 de março de 2025 por R$ 9.250.000,00. Segundo as informações reunidas pela investigação, o pagamento teria sido feito com recursos originados da Reag Investimentos, por meio de um fundo abastecido com dinheiro ligado à facção criminosa PCC.
A escritura também revela que, uma semana antes da compra do imóvel, Caio Barros contratou um empréstimo de R$ 5.904.000,00 junto ao Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal. Ibaneis Rocha afirmou anteriormente que está desligado do escritório de advocacia desde o fim de 2018, quando assumiu o governo.
A operação imobiliária ocorreu em meio a transações financeiras que envolvem o escritório da família. Como revelou o jornal O Globo, um fundo ligado à Reag Investimentos pagou R$ 38 milhões ao escritório de advocacia de Ibaneis Rocha e a outro aliado político pela compra de direitos sobre honorários de precatórios. O contrato foi firmado pouco antes de o BRB iniciar negociações com o Banco Master.
Os créditos adquiridos pelo fundo correspondem a honorários relacionados a uma ação do Sindlegis/DF contra a União. A condenação total foi estimada em R$ 381,3 milhões, mas o crédito foi vendido por R$ 38,1 milhões, cerca de 10% do valor.
O fundo responsável pela operação é o Reag Legal Claims Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não-Padronizados, dirigido por Marcos Ferreira Costa, também ligado ao Fundo Borneo, que posteriormente se tornou acionista do BRB.
No mês seguinte à assinatura do contrato, o BRB iniciou operações financeiras com o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Posteriormente, Vorcaro e a própria Reag tornaram-se acionistas do banco estatal, que passou a adquirir carteiras de crédito do Master. Em março de 2025, o BRB chegou a apresentar proposta para comprar parte da instituição financeira.
As revelações provocaram reação política no Distrito Federal. Partidos de oposição pediram investigação sobre os contratos e a relação entre o governo local, o banco estatal e a gestora financeira. O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) solicitou apuração sobre possíveis outros acordos firmados pelo governador com a Reag.
PSOL e Rede anunciaram pedido de impeachment contra Ibaneis na Câmara Legislativa, enquanto o PSB solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o afastamento do governador.
O advogado Engels Augusto Muniz afirmou que a negociação foi regular e declarou: “Em determinado momento, ele (Ibaneis) entendeu que deveria vender esses créditos. Procuramos vários fundos e um dos que aceitou pagar um valor razoável foi um fundo ligado à Reag”.





