POLÍTICA

EUA podem impor sanções em tempo real durante julgamento de Bolsonaro no STF

Donald Trump e Jair Bolsonaro. Foto: Alan Santos/Secom

O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, deve acompanhar em tempo real o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), que começa na próxima terça-feira (2). Fontes da Casa Branca informaram que há uma lista de possíveis medidas de retaliação, incluindo novas sanções financeiras e restrições comerciais contra o Brasil, que poderiam ser acionadas conforme o andamento das sessões. As informações são do UOL.

Entre as opções discutidas em Washington estão novas rodadas de cassação de vistos a autoridades brasileiras, sanções adicionais contra ministros do STF e até a revisão da lista de produtos brasileiros isentos do tarifaço de 50% em vigor desde o início de agosto. A iniciativa reforça o alinhamento de Trump com Bolsonaro, a quem o presidente norte-americano já chamou publicamente de “homem honesto” e de alvo de uma “caça às bruxas”.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o comentarista político Paulo Figueiredo viajarão a Washington durante o julgamento. Eles afirmam que irão abastecer a Casa Branca com informações sobre o processo e têm defendido sanções ao Brasil como forma de pressionar por uma anistia ao ex-presidente e seus aliados. A atuação da dupla já foi associada ao tarifaço e a restrições diplomáticas recentes.

Jason Miller, Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro. Foto: Reprodução

Jason Miller, ex-estrategista de Trump e aliado próximo de Eduardo, também vem reforçando a narrativa de perseguição. Em um podcast recente, Miller lembrou ter sido detido por ordem do ministro Alexandre de Moraes em 2021 e criticou o papel do magistrado no julgamento. Apesar de não ocupar cargo oficial, ele segue sendo uma das vozes mais influentes do trumpismo.

Para Washington, fortalecer a família Bolsonaro seria estratégico de olho nas eleições presidenciais de 2026 no Brasil. Eduardo Bolsonaro tem sido tratado como herdeiro político do movimento bolsonarista, em detrimento de nomes alternativos da direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Empresários próximos à Casa Branca também veem Eduardo como a aposta para manter o alinhamento com Trump.

O governo Lula acompanha com cautela a escalada da crise bilateral. Diplomatas brasileiros avaliam que não há margem para negociar em torno do julgamento, dado o princípio da independência do Judiciário, mas trabalham para mitigar eventuais impactos de novas sanções. A preocupação em Brasília é com a imprevisibilidade de Trump, que pode adotar medidas de impacto imediato sobre a economia e as relações diplomáticas.

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