
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (29) que começou a negar e até revogar vistos de integrantes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e da Autoridade Palestina (AP), a poucas semanas da abertura da Assembleia Geral da ONU, em setembro.
Entre os atingidos pela medida está Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, que planejava discursar em Nova York.
O gabinete de Abbas disse estar “chocado” com a decisão, afirmando que ela viola o acordo de sede da ONU, que impede o país anfitrião de restringir o acesso de autoridades estrangeiras ao encontro anual. O Departamento de Estado respondeu dizendo que está em conformidade com o tratado, já que manteve a autorização para que a missão palestina continue presente em Nova York.
A medida marca novo alinhamento da administração de Donald Trump ao governo israelense de Benjamin Netanyahu, que rejeita qualquer possibilidade de reconhecimento de um estado palestino.
Em nota, o Departamento de Estado acusou a OLP e a Autoridade Palestina de promover “lawfare” contra Israel em cortes internacionais e afirmou que só poderão ser consideradas “parceiras para a paz” quando “repudiarem de forma consistente o terrorismo” e encerrarem a “incitação em escolas e instituições”.
Diplomatas em Brasília avaliam com apreensão o gesto de Washington. O temor é que, em meio aos ataques do presidente Trump ao Brasil, e às tensões entre o Planalto e Tel Aviv, autoridades brasileiras críticas ao genocídio em Gaza ou favoráveis ao reconhecimento da Palestina também passem a enfrentar dificuldades para obter vistos de entrada nos Estados Unidos.
A lembrança histórica reforça a preocupação: em 1988, os EUA chegaram a barrar Yasser Arafat, então líder da OLP, forçando a ONU a transferir temporariamente sua reunião para Genebra.