
O presidente Lula aparece hoje como favorito na corrida presidencial de 2026, embalado por indicadores econômicos positivos, pela vantagem nas pesquisas e pela desorganização do campo adversário. Mas, apesar do retrato favorável do momento, a eleição está longe de ser uma sentença antecipada: política não se resolve por lógica matemática, e campanhas podem ser radicalmente transformadas por fatos novos, crises, escândalos e choques econômicos.
A leitura é desenvolvida em artigo da jornalista Eliane Cantanhêde, do jornal Estado de S. Paulo, que comenta a avaliação do Financial Times segundo a qual pesquisas, resultados econômicos, negociações internacionais e a fragmentação da direita criam um ambiente favorável ao presidente — embora o próprio jornal estrangeiro, na visão da colunista, tenha exagerado ao “cravar” um desfecho com tanta antecedência.
Pesquisas e contexto: o favoritismo existe, mas é fotografia, não filme
A base objetiva do favoritismo de Lula tem lastro em levantamentos de intenção de voto. Em cenários testados por pesquisas como a Quaest, o presidente aparece liderando diferentes simulações de primeiro e segundo turno, em disputa com nomes da direita e do centro, ainda que o grau de rejeição também seja elevado e alguns cenários indiquem aproximações relevantes.
A colunista ressalta que o momento atual favorece Lula também por fatores políticos: a esquerda tem pouca alternativa competitiva, enquanto a direita segue dividida e submetida a disputas internas. Ainda assim, lembra que o histórico brasileiro é cheio de reviravoltas: planos econômicos, crises e acontecimentos inesperados já redefiniram sucessões que pareciam encaminhadas.
Oposição sob tensão: direita fragmentada e nomes sob holofotes
No campo adversário, a análise aponta um cenário de incerteza e rearranjos. Alguns nomes aparecem com força regional ou midiática, mas sem consolidação nacional, e a disputa interna por protagonismo tende a produzir mais fragmentação do que unidade. O texto menciona, por exemplo, que determinadas figuras ganham holofotes em momentos específicos, enquanto outras permanecem restritas a seus estados, sem ainda formar uma coalizão nacional sólida.
Essa dispersão beneficia o presidente no curto prazo, porque reduz a capacidade de um adversário competitivo se impor como “plano A” da oposição. O problema para o governo é que, quanto mais a eleição se aproxima, maior é a probabilidade de que o campo adversário encontre um eixo unificador — sobretudo se houver deterioração econômica.
Banco Master e Supremo: a variável “escândalo” pode mudar tudo
Outro ponto enfatizado é que o favoritismo pode ser corroído caso investigações e denúncias ganhem corpo. A colunista cita como elemento de risco a possibilidade de “ramificações de escândalos”, com menção direta ao Banco Master, além da hipótese de novas revelações envolvendo figuras centrais do Judiciário.
Mesmo que esses eventos não se confirmem — ou não avancem —, o argumento é que eleições são altamente sensíveis a escândalos e percepções públicas: uma crise inesperada pode deslocar votos rapidamente e alterar alianças em questão de semanas.
O cálculo eleitoral: veto ao Fundo Partidário e guerra com o Congresso
Segundo o texto, a estratégia de Lula no início de 2026 já sinaliza o peso do cálculo eleitoral. A colunista destaca que, ao vetar um reajuste de R$ 160 milhões para o Fundo Partidário, o presidente teria buscado alinhar-se ao sentimento social, num gesto que produz dividendos de imagem.
A análise também descreve que a relação do governo com o Congresso se dá sob tensão aberta. Na leitura apresentada, não se trata de “declarar guerra”, mas de reconhecer um conflito já instalado, com o Centrão pressionando por espaço e recursos, enquanto o Planalto tenta manter alguma autoridade política e conter derrotas legislativas.
Economia: crescimento e emprego ajudam, mas crise fiscal ameaça campanha
O pano de fundo econômico aparece como o ponto mais decisivo para o “filme do ano”. A colunista afirma que o Brasil inicia 2026 com bons números de crescimento, inflação e emprego, mas sob uma crise fiscal que pressiona juros e pode comprometer o cenário.
Aqui entra a tese central do artigo: Lula seria inclinado a priorizar a reeleição com uma política de expansão de gastos — e, num dilema entre disciplina fiscal e aumento de despesas com apelo eleitoral, tenderia a escolher a segunda opção. Esse movimento pode funcionar no curto prazo, mas traz risco de reação do mercado, pressão inflacionária e perda de confiança, com efeito direto no humor do eleitorado.
A eleição de 2026: aberta, volátil e dependente do que ainda não aconteceu
A síntese é que Lula lidera hoje, mas a disputa está condicionada a variáveis imprevisíveis. Pesquisas podem oscilar, alianças podem ser reconstruídas, crises podem aparecer e escândalos podem explodir. O favoritismo, portanto, é um dado real — mas não definitivo.
E é justamente por isso que, embora análises internacionais e levantamentos nacionais indiquem vantagem do presidente neste início de ciclo, o cenário segue longe de estar fechado. Pesquisas recentes mostram Lula à frente, mas também revelam que o ambiente ainda é competitivo e pode se estreitar conforme a campanha se aproxima.



