GERALECONOMIA

Dólar fica abaixo de R$ 5,20 e resiste à pressão do mercado externo

O dólar encerrou a sessão de terça-feira com leve alta, mas mantendo-se abaixo da marca de R$ 5,20, demonstrando resiliência diante da pressão do mercado externo. A moeda americana sustentou ganhos frente a outras moedas emergentes, como o rand sul-africano e o peso chileno, mas no Brasil, o cenário foi marcado por dados da inflação oficial e críticas à situação fiscal do país.

Os números da inflação oficial de janeiro foram divulgados pela manhã, enquanto, à tarde, o cenário fiscal brasileiro foi tema de debates em um evento do BTG Pactual em São Paulo. Esses fatores, somados à liquidez reduzida, contribuíram para oscilações em margens estreitas ao longo do dia.

Conforme apurado pela Reuters, o dólar à vista fechou com uma valorização de 0,17%, atingindo R$ 5,1976. No acumulado do ano, a divisa americana apresenta uma desvalorização de 5,31%. Já o dólar futuro para março cedia 0,03% na B3, cotado a R$ 5,2155.

Inflação em Janeiro: Dados Oficiais e Expectativas para a Selic

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, registrou alta de 0,33% em janeiro. Este índice ficou em linha com o resultado de dezembro e praticamente alinhado às expectativas dos economistas, que projetavam 0,32% para o período.

No acumulado de 12 meses até janeiro, a inflação atingiu 4,44%, também próxima das projeções de 4,43%, mas superior aos 4,26% registrados em dezembro. A análise detalhada dos dados revelou uma forte desaceleração nos serviços como um todo, com a taxa caindo de 0,72% em dezembro para 0,10% em janeiro, segundo o IBGE.

A inflação de serviços subjacentes, que exclui itens mais voláteis, apresentou leve alta, passando de 0,56% para 0,57%. Já os serviços intensivos em mão de obra tiveram uma taxa de 0,77% em dezembro, recuando para 0,64% em janeiro. Esses números não alteraram a expectativa geral de um início de ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15%, já em março.

Cenário Fiscal e Juros Reais em Debate no Mercado

Em um evento do BTG Pactual, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou sua visão de que não há justificativa para o atual nível de juros reais no Brasil. Segundo Haddad, essa taxa elevada gera um efeito de alta na dívida pública que o governo não consegue compensar, mesmo com um superávit primário.

O diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, cuja taxa de referência encontra-se na faixa de 3,50% a 3,75%, tem sido um fator crucial na atração de investimentos para o país, contribuindo para a desvalorização do dólar nos últimos meses. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destacou que os dados do IPCA mantêm em aberto o debate sobre a magnitude do próximo corte de juros em março, com apostas divididas entre 25 e 50 pontos-base.

“Ainda assim, o Brasil segue com um elevado diferencial de juros, que, aliado ao fluxo estrangeiro para bolsa e renda fixa, tem sustentado o bom desempenho do real neste ano”, acrescentou Shahini. O dólar à vista, nesse contexto, oscilou entre R$5,1846 e R$5,2130 em uma sessão de baixa liquidez.

Críticas à Gestão Fiscal e Visão do Mercado

Durante a tarde, as atenções dos investidores também se voltaram para o evento do BTG Pactual, onde o atual cenário da economia brasileira foi amplamente discutido. Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro e economista-chefe do BTG, apresentou previsões negativas sobre a área fiscal. Ele atribuiu as recentes melhoras em alguns indicadores do país a fatores internacionais, e não a ações governamentais.

Apesar das críticas e do cenário externo que mostrava a valorização do dólar frente a outras moedas fortes como o euro e a libra, a moeda americana encerrou o dia em patamar próximo à estabilidade no Brasil, ainda abaixo dos R$5,20. O índice do dólar, que mede seu desempenho contra uma cesta de seis divisas, caía 0,15% no mesmo período, indicando um movimento misto no cenário cambial global.

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