
Os argumentos de perseguição política, o apoio buscado fora do país e os embates com ministros do Judiciário aproximam a defesa de Jair Bolsonaro, que será julgado pelo STF a partir desta terça-feira (2), da estratégia usada por Lula na Lava Jato.
Em momentos diferentes e por circunstâncias distintas, os dois recorreram à narrativa de perseguição judicial como forma de resistência política.
A tese da lawfare, que sustenta a ideia, foi usada por Cristiano Zanin quando defendia Lula e agora é repetida por Celso Vilardi, advogado de Bolsonaro. A diferença é que Zanin hoje é ministro do Supremo e participará do julgamento do ex-presidente, acusado de tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
Lula foi condenado por Sergio Moro em 2017 no caso do tríplex e preso em 2018, quando liderava as pesquisas para o Planalto. O PT afirmou que o objetivo era retirá-lo da disputa. Em 2021, o STF anulou as condenações e considerou Moro parcial, após virem à tona mensagens que mostravam colaboração com procuradores da Lava Jato.

No caso de Bolsonaro, a defesa tentou afastar Alexandre de Moraes, relator da trama golpista, sob alegação de impedimento, mas o pedido foi rejeitado. Para o procurador Roberto Livianu, as acusações são mais sérias que as enfrentadas por Lula. “O crime contra a ordem democrática é um crime bárbaro, é uma fratura social de dificílima reparação, que lesa a sociedade como um todo”, afirmou.
Na arena política, Bolsonaro tenta seguir o exemplo de Lula, que em 2018 lançou Fernando Haddad como substituto. Inelegível desde 2023, o ex-presidente indica a aliados que pode apoiar um nome para herdar seu capital eleitoral, mas ainda não definiu quem será o candidato.
Assim como o PT buscou apoio em organismos internacionais, o bolsonarismo aposta no exterior. Eduardo Bolsonaro, foragido nos EUA, articulou com Donald Trump, que impôs sanções a Moraes e usou a defesa de Bolsonaro como justificativa para tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.