
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) encaminhou nesta quinta-feira (28/8) um ofício ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo autorização para exercer o mandato a partir dos Estados Unidos. O parlamentar está no país desde fevereiro e argumenta que a Casa deve criar mecanismos para garantir a atividade remota.
No documento, Eduardo afirma que situações semelhantes foram autorizadas durante a pandemia de Covid-19 e que sua permanência no exterior é motivada por perseguição política. Ele disse que não pretende renunciar ao cargo e que atua em “diplomacia parlamentar” em agendas com autoridades americanas.
Ofício que enviei hoje ao Presidente da Câmara Hugo Motta falando sobre minha situação de perseguição política, que me impede de retornar ao Brasil e bem exercer minha função de parlamentar. pic.twitter.com/c3AlOZKl3M
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) August 29, 2025
Entre março e julho, o deputado esteve licenciado para tratar de assuntos pessoais. Após o recesso parlamentar, voltou a acumular faltas não justificadas. Em Washington, busca apoio do governo Donald Trump para retaliar o Brasil em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

A Polícia Federal indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro em 20 de agosto, acusando-os de tentar influenciar os processos por meio de sanções econômicas impostas ao Brasil. O caso é conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou investigações por coação de autoridades.
Hugo Motta já declarou publicamente que não há previsão regimental para a prática de mandato à distância. Apesar de aliados ensaiarem propostas de mudança nas regras internas, nenhuma das iniciativas avançou. O presidente da Câmara afirmou que Eduardo será tratado como os demais parlamentares.
Na quarta-feira (27/8), Eduardo participou de forma remota de uma audiência em subcomissão da Comissão de Segurança Pública. Na ocasião, defendeu um perdão para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e criticou o ministro Alexandre de Moraes, dizendo que o indiciamento contra ele é “invenção”.