
Moradores de diferentes bairros de São Paulo relatam sofrer com cortes de água recorrentes muito antes da Sabesp anunciar a redução de pressão no fornecimento, iniciada em 29 de agosto. Em regiões como Brasilândia, Jardim Apurá, Brooklin e Vila Guarani, famílias dizem conviver há anos com torneiras secas no fim do dia, obrigando a adoção de medidas improvisadas para tarefas básicas, como tomar banho ou dar descarga.
Na Brasilândia, na zona norte, o barbeiro Givanildo Santos afirma que precisa buscar água em baldes na vizinhança para manter o salão aberto. Segundo ele, a interrupção do fornecimento ocorre quase diariamente entre o fim da tarde e a madrugada seguinte. Situação semelhante é vivida por Gabriel Lima, motorista escolar da zona sul, que relata mais de uma década de dificuldades. Para contornar o problema, mantém baldes e galões no banheiro para emergências.
No Brooklin, a aposentada Adriana Amorim conta que todos em casa precisam se banhar antes das 20h, pois depois desse horário a água some. Quando o serviço retorna, afirma, o relógio marca consumo enquanto apenas ar sai das torneiras, o que, segundo ela, ainda eleva a conta. Já em Vila Guarani, o aposentado Roberto Gomes lembra que a escassez é antiga, agravada pela geografia elevada da região, que dificulta o abastecimento quando há redução de pressão.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo (Arsesp) confirmou falhas. Após denúncias levadas por moradores, técnicos registraram momentos de pressão nula nos imóveis vistoriados. A agência multou a Sabesp em R$ 2,5 milhões em janeiro por falhas de abastecimento e informou que novas punições podem ocorrer caso os problemas persistam. A partir deste ano, a companhia passou a ser obrigada a enviar relatórios mensais de monitoramento.

A Sabesp afirmou, em nota, que a medida de redução de pressão é temporária e preventiva, com o objetivo de reduzir perdas, evitar vazamentos e preservar os reservatórios da Grande São Paulo. A empresa destacou que imóveis com caixa-d’água sentem menos os impactos e anunciou que está monitorando a distribuição em tempo real, inclusive por meio de formulários enviados a clientes que registrarem reclamações.
Sobre as autuações da Arsesp, a Sabesp disse que recorreu administrativamente e segue dialogando com a agência. Segundo a companhia, as visitas técnicas realizadas em endereços citados por moradores constataram abastecimento normal no momento da inspeção. Para a população, no entanto, a preocupação é de que os cortes já crônicos se agravem diante da nova política de restrição de pressão. As informações são do jornal Metrópoles.