
O jornalista, escritor e ativista LGBT argentino Bruno Bimbi é gerente de estratégia e política do StandWithUs Brasil. Ex-assessor do ex-deputado federal Jean Wyllys, do PSOL, ele estabelece contato com parlamentares do campo progressista em nome do grupo sionista.
A StandWithUs se apresenta como uma “organização educacional de combate ao antissemitismo”, mas busca influenciar diretamente a atividade legislativa no Congresso Nacional. Seu presidente é André Lajst, figurinha obrigatória da mídia na cobertura da Palestina.
Em janeiro, Bimbi enviou uma carta a signatários de uma nota em apoio à criação da Frente Parlamentar pelos Direitos do Povo Palestino. Todos os 33 nomes são do PT e do PSOL.
Segundo ele, a nota continha “perigosa apologia ao grupo terrorista Hamas”, apenas pelo uso de termos como “resistência” e “heroísmo”. O Brasil não classifica o Hamas como organização terrorista. No direito internacional, ele não integra as listas de sanções do Conselho de Segurança da ONU, que se concentram na Al-Qaeda e no ISIS.
Ao contrário, resoluções da Assembleia Geral da ONU reiteram o direito à autodeterminação e reconhecem a legitimidade da resistência contra ocupação estrangeira.
“É por isso que, com o maior respeito e consideração, estamos encaminhando junto à presente um documento com a nossa análise acadêmica e factual sobre a nota, que esperamos seja levada em consideração para ampliar a sua leitura e compreensão dos fatos”, relatava Bimbi.
“Solicitamos, por fim, com a maior urgência, uma reunião para conversar pessoalmente, com a convicção de que o diálogo, com respeito mútuo e sem preconceitos, é a única forma de começar a superar a polarização, a desinformação e os discursos de ódio que tanto dano fazem a tanta gente, no Brasil e no mundo”.
A carta de Bimbi pode ser lida aqui.
Ele busca reuniões presenciais “com urgência” com parlamentares, chegou a comparecer pessoalmente a gabinetes e, segundo relatos de assessores, insinuou possibilidade de ações na Justiça.
De acordo com políticos ouvidos pelo DCM, houve casos em que ele gravou conversas, enviou mensagens insistentes pelo WhatsApp e apareceu sem aviso prévio no gabinete. Uma funcionária chegou a bloquear seu contato, diante da obstinação. Os políticos pediram para não ser identificados, temendo retaliações.
Ao DCM, Bimbi afirmou que faz parte de “uma instituição educacional”. “Eu não denuncio pessoas; converso com elas. Da mesma forma que eu fiz durante muitos anos como liderança do movimento LGBT na Argentina e depois aqui no Brasil. Nunca denunciei um deputado na Justiça por homofobia, mas já conversei com muitos deputados que tinham feito comentários homofóbicos e ofereci informações e argumentos, com uma abordagem pedagógica e amigável, para eles entenderem que a homofobia é muito nociva em qualquer sociedade”, declarou.
“Alguns desses deputados acabaram inclusive apoiando leis em defesa dos direitos da população LGBT. São maneiras diferentes de lidar com o preconceito. Eu acredito no diálogo, não na denúncia e nem na ameaça”.
Uma deputada federal recebeu email de Bimbi em tom incisivo, no qual ele cobrava resposta imediata a pedidos anteriores de encontro. “Estamos entrando em contato mais uma vez, para solicitar uma reunião com a senhora, de preferência presencial, com a maior urgência”. Em outro trecho, reforçou a cobrança: “Não entendemos o porquê da recusa a DIALOGAR conosco”.
Ele reiterava acusações de apologia ao terrorismo e responsabilizava parlamentares críticos de Israel por disseminar “fake news” e “antissemitismo”.
Em maio, a deputada fez uma postagem em seu Instagram com a frase: “A principal causa de mortalidade infantil no mundo este ano é Israel”. O texto provocou uma reação virulenta de Bimbi num texto publicado no site da Conib (Confederação Israelita do Brasil).

“Desde que a guerra começou, vários parlamentares do PSOL e outros partidos de esquerda publicaram inúmeras mentiras, além de acusar falsamente o Estado judeu de genocídio, colonialismo, limpeza étnica, apartheid. Promoveram campanhas antissemitas, como a que pede o rompimento de relações acadêmicas entre universidades brasileiras e israelenses; repetiram a frase “do rio ao mar” (esta sim, uma incitação ao genocídio ou à limpeza étnica) como grito de guerra e a palavra “sionista” como xingamento”, escreveu num longo artigo.
“Outras lideranças do mesmo partido não concordam com nada isso, mas também não agem. Ficam com medo de ser cancelados pela própria militância e pedem tempo (‘quando a guerra acabar) para levar a sério o problema do extremismo, o preconceito e o ódio em suas fileiras”.
Terminava assim: “A realidade é mais complexa que as palavras de ordem dos fanáticos e dos oportunistas.”
O modus operandi da StandWithUs no Brasil se assemelha ao de lobbies sionistas em outros países. Nos Estados Unidos, segundo os pesquisadores John Mearsheimer e Stephen Walt no livro “The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy” (em português, ”O Lobby de Israel e a Política Externa dos EUA”, sem tradução no Brasil), o AIPAC exerce forte influência no Congresso, recompensando aliados, punindo críticos e controlando o debate sobre política externa.
AIPAC é a sigla para American Israel Public Affairs Committee, que em português significa Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel.
Dados recentes mostram que candidatos apoiados pela organização receberam em média US$ 100 mil em doações e que organizações vinculadas ao lobby planejam gastar até US$ 100 milhões para derrotar parlamentares críticos a Israel.
Já no Reino Unido, o grupo Labour Friends of Israel (LFI) patrocina viagens de deputados a Israel e mantém forte influência no Partido Trabalhista, enquanto o Conservative Friends of Israel (CFI) agrega cerca de 80% dos parlamentares conservadores.