
A China cobrou neste domingo que os Estados Unidos libertem “imediatamente” o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, após relatos de que ambos foram capturados por forças norte-americanas e retirados do país. Pequim afirmou que a ação representa uma violação clara do direito internacional, das normas básicas das relações internacionais e dos princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas.
As declarações foram publicadas pelo Global Times, que citou a resposta de um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China às informações de que, em 3 de janeiro, os Estados Unidos teriam enviado forças para apreender Maduro e sua esposa e removê-los do território venezuelano. Segundo o jornal, a operação teria provocado manifestações de oposição por parte de governos de múltiplos países.
De acordo com o porta-voz chinês, Pequim expressa “séria preocupação” com o que chamou de “controle forçado” de Maduro e da primeira-dama e com sua transferência para fora do país. Para a diplomacia chinesa, o ato configura uma agressão direta à soberania venezuelana e representa um precedente perigoso para a estabilidade internacional.
A China pediu que Washington assegure a segurança pessoal do presidente venezuelano e de sua esposa, os liberte “de uma vez”, interrompa qualquer tentativa de derrubar o governo da Venezuela e busque resolver as disputas por meio de diálogo e negociação. “A China pede aos Estados Unidos que garantam a segurança pessoal do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, que os libertem imediatamente, que parem de derrubar o governo da Venezuela e que resolvam as questões por meio do diálogo e da negociação”, afirmou o porta-voz, segundo o Global Times.
O caso ganhou dimensão global após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar no sábado que o país realizou um “ataque em larga escala contra a Venezuela” e alegar que Maduro e sua esposa foram capturados e removidos do país. Trump também publicou nas redes sociais uma foto que mostraria Maduro a bordo do navio USS Iwo Jima, apresentada como evidência do desfecho da operação militar.
Segundo o relato, a ação militar dos Estados Unidos contra a nação sul-americana “chocou a comunidade internacional” e levou vários países a emitirem condenações contundentes contra Washington. No sábado, a própria chancelaria chinesa já havia se manifestado, dizendo estar “profundamente chocada” e condenando de forma “enérgica” o que classificou como uso flagrante da força contra um Estado soberano e contra seu presidente.
Para Pequim, a ofensiva norte-americana viola gravemente o direito internacional, fere a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. A China afirmou se opor firmemente ao que descreveu como uma escalada hegemônica e voltou a defender o respeito aos princípios da Carta da ONU.
A posição chinesa reforça um discurso que tem se intensificado diante de ações militares ou intervenções políticas externas: o de que conflitos entre países devem ser enfrentados por meios diplomáticos, sem o uso da força e sem ações que comprometam a autodeterminação de governos e povos. No caso venezuelano, a China disse considerar essencial que qualquer solução seja buscada por negociação, não por imposição militar.
O episódio ainda amplia a tensão geopolítica em torno da Venezuela, país que há anos enfrenta forte pressão externa e disputas internacionais sobre sua condução política. Ao exigir a libertação imediata de Maduro e da primeira-dama, Pequim eleva o tom contra Washington e se soma ao coro de governos que, segundo o Global Times, já demonstraram oposição à operação anunciada pelo presidente Donald Trump.



