
O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (29) que visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em sua residência em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o parlamentar, o ex-mandatário “está magro”, “não tem vontade de se alimentar” e “segue enfrentando intermináveis crises de soluço e vômitos”.
Em publicação no X, Carlos declarou: “Dói demais ver tudo isso, mas sinto como obrigação compartilhar um pouco da realidade do momento com todos que estão sofrendo junto conosco”. O vereador disse ainda que, durante a visita, eles permaneceram “às vezes conversando, às vezes apenas em silêncio”.
Na decisão que determinou a prisão domiciliar, Moraes argumentou que Bolsonaro havia praticado “reiterado descumprimento das medidas cautelares”. O ex-chefe do governo só pode receber a visita de advogados ou pessoas previamente autorizadas pelo STF. Na noite da última terça-feira (26), teve início o monitoramento velado por policiais penais do Distrito Federal em frente à casa do ex-presidente.
– Estava com saudade de visitar meu pai, mesmo tendo passado apenas uma semana desde a última vez. Hoje tive novamente a oportunidade de estar com ele em sua prisão domiciliar ilegal e desumana, ficando um pouco ao seu lado – às vezes conversando, às vezes apenas em silêncio.
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) August 29, 2025
A medida foi solicitada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O despacho de Alexandre de Moraes determinou que a vigilância fosse feita em tempo real, sem exposição midiática e sem interferir na rotina da vizinhança, ficando a critério da polícia o uso de uniformes e armamentos.
Em ofício enviado ao STF, a PF pediu reforço no policiamento e manutenção do monitoramento da tornozeleira eletrônica. O documento citou a existência de “risco concreto” de fuga, com possibilidade de Jair Bolsonaro tentar se abrigar na Embaixada dos Estados Unidos, de onde poderia solicitar asilo político.
O ex-presidente será julgado a partir de terça-feira (2) pela Primeira Turma do STF no processo relacionado ao plano de golpe de Estado. O julgamento será acompanhado por forte esquema de segurança em Brasília.