POLÍTICA

Carbono Oculto: mercado teme que figurões surjam nas investigações da PF

Reag Investimentos. Foto: Divulgação

A megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (28/8) pela Polícia Federal colocou a Reag Investimentos, maior gestora independente do Brasil, no centro das atenções.

A companhia foi alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Carbono Oculto, que apura um esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e de fundos de investimento. Com informações do G1.

A ação da PF provocou forte reação no mercado financeiro, já que a investigação pode revelar nomes de empresários e instituições que se utilizaram dos serviços da gestora. Segundo fontes do setor, cresce a especulação de que pessoas ligadas a escândalos recentes possam aparecer nas apurações.

De acordo com a Receita Federal, foram identificados ao menos 40 fundos de investimento multimercado e imobiliário, com patrimônio total de R$ 30 bilhões, controlados pelo PCC. Os recursos eram usados para financiar a compra de terminais portuários, usinas, frotas de caminhões e imóveis de alto valor, como fazendas no interior de São Paulo.

Na Bolsa de Valores, a reação foi imediata. Listada na B3 sob o ticker REAG3, a Reag viu suas ações despencarem 22,87% no pregão por volta do meio-dia. A companhia é controlada pela Reag Capital Holding S/A, que também administra a CiabraSF (ADMF3), outra holding independente envolvida na operação.

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Bolsa de Valores. Foto: Paul Whitaker / Reuters

Em comunicado, a Reag afirmou que colabora integralmente com as autoridades e negou envolvimento com atividades ilícitas. A empresa declarou que agiu de forma regular em todos os serviços prestados e que mantém confiança no trabalho das instituições responsáveis.

Criada em 2013 por João Carlos Mansur, a gestora administra R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais. Nos últimos anos, ampliou sua atuação com aquisições de empresas como Hieron, Berkana, Rapier, Quadrante e Quasar, além da compra da Empírica Investimentos em 2024, especializada em crédito estruturado.

Em 2025, a companhia também promoveu uma reorganização societária relevante ao realizar a incorporação reversa da plataforma GetNinjas. Com a mudança, a empresa passou a ser negociada como holding aberta na B3, consolidando-se entre as maiores do setor.

A Reag também se tornou conhecida pelo patrocínio ao Cine Belas Artes, em São Paulo, rebatizado como REAG Belas Artes. Apesar do impacto da operação e da queda no valor de mercado, a gestora reafirmou que mantém suas atividades em conformidade com a lei e continuará prestando informações ao mercado e aos reguladores.

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