Augusto Lima e Daniel Vorcaro, antigos sócios do Banco Master, que está próximo de ser adquirido pelo BRB, Foto: Divulgação O Banco de Brasília (BRB) está em fase final de negociações para assumir o controle majoritário do Banco Master, instituição comandada por Daniel Vorcaro. A operação, anunciada em março, prevê a compra de 58% da instituição, mas ainda depende de ajustes e aprovação do Banco Central.
O acordo também oficializa a saída de Augusto Ferreira Lima, conhecido como “pai do Credcesta”, que agora seguirá carreira solo no recém-renomeado Banco Pleno. A trajetória do Master no mercado de crédito consignado começou com ele, que levou para a instituição um convênio exclusivo do cartão consignado destinado a servidores públicos da Bahia.
Esse modelo, originado na rede de supermercados estatal Cesta do Povo, privatizada em 2018, tornou-se um dos pilares de crescimento da instituição, rendendo ao banco contratos em diversos estados e municípios. A exclusividade no Credcesta permitiu ao Master expandir rapidamente sua carteira, que chegou a R$ 2,5 bilhões no fim de 2023.
A história da Cesta do Povo ajuda a explicar esse avanço. Criada em 1979 pelo então governador Antônio Carlos Magalhães, a rede de supermercados tinha o objetivo de conter a inflação ao controlar preços básicos. Em 2018, o governo Rui Costa concluiu a privatização da estatal Ebal, dona da rede, que havia acumulado prejuízos de até R$ 60 milhões anuais.
O leilão foi vencido pelo investidor espanhol Ignacio Morales, mas o grande atrativo não era o varejo, e sim o controle do Credcesta. Com mudanças promovidas pelo governo baiano, o cartão passou a ser aceito em qualquer comércio, ganhou liberdade para cobrança de juros e exclusividade sobre 30% da margem consignável dos servidores.
Essas condições transformaram o produto em um negócio bilionário. Embora em outros estados o consignado seja regulado para manter taxas mais baixas, na Bahia os juros do Credcesta chegaram a 5,5% ao mês, patamar considerado elevado para operações com desconto em folha.
Sede do Banco Master. Foto: Divulgação Lima, mesmo sem aparecer formalmente como sócio em várias empresas ligadas ao Credcesta, consolidou sua influência por meio de aliados e executivos próximos. Posteriormente, transferiu os convênios e a marca para o Banco Pleno, levando consigo uma carteira robusta e a continuidade da operação exclusiva com servidores da Bahia.
Essa divisão marcou o fim da parceria com Vorcaro, que manteve a marca Master e seguiu expandindo em outros estados. A relação entre os dois empresários começou antes de 2019, quando o Master ainda se chamava Máxima.
Naquele período, já havia registros de domínios ligados ao Credcesta em nome da instituição, evidenciando a proximidade entre Lima e Vorcaro. Com o tempo, o banco ampliou sua rede de contratos com governos e prefeituras, consolidando-se no mercado de consignados do setor público.
Antes do anúncio da fusão com o BRB, o Master vendeu cerca de R$ 8 bilhões em carteiras de crédito, reduzindo sua exposição e ajustando sua estrutura. Atualmente, a carteira de consignado do banco soma aproximadamente R$ 919 milhões.
O BRB, por sua vez, articula como ficará a divisão de ativos: a operação inicial previa R$ 50 bilhões, mas negociações recentes indicam que a fatia absorvida pode ser reduzida para R$ 25 bilhões, com exclusão de ativos considerados problemáticos.
Com a saída de Lima e a chegada do BRB como acionista majoritário, o Banco Master entra em uma nova fase. Já o Banco Pleno, liderado por Augusto Lima, passa a carregar a herança direta do Credcesta e seus convênios exclusivos.