GERALECONOMIA

Banco Central decreta fim do Will Bank, banco digital do grupo Master

O Banco Central tomou a decisão de decretar a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital que pertencia ao grupo Master. A instituição já se encontrava sob regime de administração especial temporária desde novembro, quando o Banco Master foi liquidado.

A medida, que interrompe todas as atividades do banco e o retira oficialmente do Sistema Financeiro Nacional, surge após tentativas frustradas de negociação com investidores interessados. A situação econômico-financeira do Will Bank foi considerada comprometida e insolvente pelo BC.

Segundo o Banco Central, a decisão foi motivada pelo “comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A”, que já havia sido liquidado em 18 de novembro. As informações são da Folha de São Paulo.

Operações suspensas e garantias executadas pela Mastercard

Antes mesmo do anúncio oficial da liquidação, a bandeira Mastercard já havia suspendido a aceitação de transações com cartões emitidos pelo Will Bank. Essa ação preventiva ocorreu devido a falhas na liquidação de operações por parte do banco digital junto aos participantes do arranjo de pagamentos, visando evitar o aumento do montante devido pelo Will Bank.

Com a suspensão, a Mastercard também executou garantias ligadas às dívidas do Will Bank. Como resultado, a empresa passou a deter participações relevantes em ativos como a varejista de móveis Westwing e o BRB (Banco de Brasília), que estavam vinculados às obrigações financeiras do banco digital.

FGC arcará com indenizações bilionárias e crise atinge fundos de investimento

A frustrada venda do Will Bank deverá acarretar perdas significativas para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Estima-se que o fundo precise indenizar até R$ 250 mil por investidor, o que afetaria cerca de 800 mil pessoas físicas e jurídicas detentoras de CDBs e outros títulos garantidos emitidos pelo grupo Master. O valor total estimado para essa indenização é de R$ 40,6 bilhões, representando a maior já realizada pelo FGC.

Paralelamente, a crise do grupo Master continua sob investigação policial. A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. Essa investigação mira endereços ligados a Daniel Vorcaro, proprietário do grupo, familiares e empresários como Nelson Tanure e João Carlos Mansur.

Histórico e dados financeiros do Will Bank

Fundado em 2017 e adquirido pelo grupo Master em 2024, o Will Bank apresentava, no primeiro semestre, R$ 14,4 bilhões em ativos. Contudo, acumulava um prejuízo de R$ 244,7 milhões e um patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões, conforme dados do Banco Central. Em setembro, a instituição possuía R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não tinha saldo em depósitos à vista, como contas correntes.

No regime de administração especial temporária, as operações do banco são mantidas, mas os dirigentes perdem o mandato. Já na liquidação, o funcionamento é totalmente encerrado, impactando clientes, credores e o sistema financeiro.

Investigações e desdobramentos da Operação Compliance Zero

Na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro, Daniel Vorcaro foi preso sob acusação de liderar um esquema de criação de carteiras falsas de crédito para inflar o balanço do Banco Master. Ele foi liberado menos de duas semanas depois, mas permanece monitorado por tornozeleira eletrônica.

A Operação Compliance Zero busca esclarecer suspeitas de fraude e irregularidades financeiras dentro do grupo Master, com desdobramentos que podem atingir outros envolvidos e empresas ligadas às investigações.

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