POLÍTICA

A manhã em que a Faria Lima parou diante da PF e do PCC

Operação aconteceu na Faria Lima. Foto: Reprodução

A manhã da última quinta-feira (28) transformou a rotina da Avenida Faria Lima, em São Paulo, com a deflagração da megaoperação Carbono Oculto, que mirou a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em esquemas de lavagem de dinheiro no coração financeiro do país. Logo cedo, camburões, tropas de choque e auditores da Receita Federal ocuparam a região, surpreendendo empresários, gestores e funcionários de escritórios de investimento.

Segundo a Polícia Federal, a operação teve como alvo pelo menos cinco endereços na avenida, incluindo a gestora Reag Investimentos, que ocupa quatro andares em um dos prédios da região. As salas foram vasculhadas e lacradas com fitas após buscas detalhadas. Empresários relataram que só puderam acessar seus escritórios após identificação e checagem de documentos, enquanto chaveiros foram chamados para abrir fechaduras sem a necessidade de arrombamentos.

A presença ostensiva de policiais fortemente armados assustou frequentadores da região. Comerciantes relataram receio de perder clientes ao verem metralhadoras expostas, e funcionários de edifícios narraram um dia inteiro de movimentação com a saída de caixas e sacos de documentos apreendidos. “Foi uma loucura”, disse um recepcionista de prédio próximo ao Shopping Iguatemi, onde agentes permaneceram até a noite.

Agentes da Polícia Federal na Avenida Faria Lima, em São Paulo, durante operação contra o PCC. Foto: Reprodução

Apesar do clima tenso na Faria Lima, o mercado financeiro seguiu em alta. O Ibovespa fechou o dia com avanço de 1,32%, aos 141.049 pontos, o segundo maior da história, enquanto o dólar caiu para R$ 5,40. A exceção foi a Reag, cujas ações despencaram 15% diante da repercussão negativa da operação. Ao todo, foram cumpridos mandados em 42 endereços ligados a investigados, entre os 350 alvos da investigação.

Na sexta-feira (29), o “day after” foi marcado por especulações em grupos de gestores sobre uma possível segunda fase da operação, dada a grande quantidade de documentos recolhidos. Ainda assim, a ordem entre as gestoras foi de retomar a rotina, inclusive na própria Reag. O episódio reforçou preocupações do setor sobre a infiltração do crime organizado em operações financeiras sofisticadas.

De acordo com especialistas, a Carbono Oculto confirmou suspeitas de que facções como o PCC vêm utilizando estruturas do mercado formal para lavar recursos ilícitos. A operação evidenciou o uso de fundos de investimento e esquemas complexos de engenharia financeira, mostrando que profissionais do mercado estariam colaborando com organizações criminosas em atividades como distribuição de combustíveis e gás.

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