
El Clarín e La Nación são os equivalentes argentinos dos jornalões brasileiros, mas com muito mais poder e audiência. Clarín e Nación têm alcance, influência e leitura que Folha, Globo e Estadão nunca tiveram.
Nem nos melhores momentos nos anos 80. Não são mileinistas, mas usaram o sujeito como gambiarra contra Cristina Kirchner e o peronismo, como os jornais fizeram aqui com Bolsonaro contra Lula e o PT.
Pois ficou claro essa semana que os dois jornais se dedicam a abreviar o governo fascista de Javier Milei, depois do mais recente escândalo de corrupção comandado por Karina Milei.
Nos últimos três dias, a pauta da propina paga pelas farmacêuticas à irmã do sujeito não sai das manchetes. Nenhum outro assunto toma o lugar do escândalo nas chamadas principais do Nación e do Clarín. O Nación informa hoje que “o governo vive novas convulsões”.

O fascistão pode não aguentar até o fim do ano, principalmente se a extrema direita for mal nas eleições parlamentares de outubro na província de Buenos Aires.
Hoje, a irmã deve ter ficado mais assustada. Depois dos vazamentos de áudios que a incriminam, com falas grampeadas de Diego Spagnuolo, advogado pessoal de Milei e ex-diretor da Agência Nacional de Deficiência (Andis), apareceram gravações com a voz de Karina.
Nada de muito interessante. Numa fala, ela diz, possivelmente numa reunião privada com um grupo de pessoas de confiança: “Não podemos brigar entre nós; temos que estar unidos”.
Karina revela sua dedicação ao trabalho: “Eu entro às 8h e saio da Casa Rosada às 23h”. Parece, como é toda a extrema direita, uma pessoa simplória.
O áudio foi reproduzido pelos jornais. O que pode significar? Que alguém está avisando que tem mais. Que Karina poderia estar sendo grampeada em reuniões, como fizeram com Spagnuolo.
A semana que vem será decisiva para que Milei reaja ou continue tombando. O mais provável, com a retomada das investigações do caso da criptomoeda pelo Congresso, é que ele tombe logo.