
A senadora Lilly Téllez, do Partido Ação Nacional (PAN), provocou indignação no México ao defender em entrevista à emissora norte-americana Fox News, porta-voz do trumpismo, que os Estados Unidos intervenham diretamente no país para combater os cartéis de drogas.
Para Téllez, essa intromissão estrangeira seria “absolutamente bem-vinda” e corresponderia, segundo ela, “ao sentimento da maioria dos mexicanos”.
“Estamos a caminho de nos tornarmos a próxima Venezuela. Ela está alinhada com o ditador da Venezuela e com Cuba, e estamos perdendo nosso país. Eles estão destruindo a democracia”, disse ela na mesma Fox, numa participação subsequente.
A fala reacendeu acusações de traição à pátria por parte de parlamentares do partido governista Morena, que consideraram a declaração uma afronta à soberania nacional.
A deputada Lilia Aguilar Gil, do Partido do Trabalho (PT), foi além e pediu que Téllez peça licença do Senado e se coloque à disposição da Justiça. “Ela não representa os mexicanos. É uma senadora plurinominal, que só defende seus próprios interesses. Lilly Téllez, se tem vergonha, apresente-se ao poder público. O México te repudia”, disse Aguilar.
🇲🇽 Mexican Senator Lilly Téllez went on Fox & dropped a truth bomb: “Most Mexicans want U.S. help against the cartels — the only ones who don’t are narco-politicians.”
And who blows a gasket? President Sheinbaum, calling her a traitor.
Those who scream the loudest. pic.twitter.com/TMJ3NGgz5F
— Jake (@JakeCan72) August 24, 2025
O caso tem paralelo direto com a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que viajou aos Estados Unidos para buscar apoio do então presidente Donald Trump contra decisões do Supremo Tribunal Federal no Brasil, para tirar o pai da cadeia.
O PAN, partido de Lilly Téllez, é uma das principais forças de oposição no México. Fundado em 1939, tem base conservadora e já governou o país com Vicente Fox (2000-2006) e Felipe Calderón (2006-2012).
A presidente Claudia Sheinbaum reagiu com firmeza, lembrando que pedir intervenção externa não é um gesto menor: “O que pedimos é respeito à nossa soberania e à autodeterminação do México. Sempre haverá espaço para acordos, mas não para abrir a porta à ingerência estrangeira.”