POLÍTICA

Exilado, Eduardo chamou EUA de “essa porra aqui” em conversa com Bolsonaro

Deputado federal Eduardo Bolsonaro discursa em frente à bandeira dos EUA. Foto: Mandel Ngan/AFP

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive elogiando os Estados Unidos publicamente, chamou o país de “porra” em conversa com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em mensagens reveladas pela Polícia Federal, ele afirma que se sente desautorizado para prosseguir com a articulação golpista junto de parlamentares americanos.

O diálogo ocorreu após uma entrevista em que Bolsonaro disse que o filho ainda era “imaturo” para a política. Irritado, Eduardo disparou uma série de mensagens agressivas. “Se o imaturo do seu filho de 40 anos não puder se encontrar com os caras aqui, porque você me joga para baixo, quem vai se fuder é você, e vai decretar o resto da minha vida nesta porra aqui”, escreveu.

Além das ofensas, Eduardo também xingou o próprio pai: “VTNC, seu ingrato do caralho”. Mais tarde, ele enviou um pedido de desculpas, alegando ter se exaltado. “Peguei pesado… estava puto na hora”, registrou o deputado em mensagens anexadas ao inquérito.

Eduardo Bolsonaro chama EUA de “porra” em conversa com o pai. Foto: Reprodução

As falas ocorreram em meio a sua atuação nos Estados Unidos, onde busca apoio político junto ao governo de Donald Trump para impor sanções contra autoridades brasileiras. A PF aponta que ele e o pai tentaram induzir autoridades estrangeiras em erro, visando proteger os dois de investigações e possíveis condenações no Supremo Tribunal Federal (STF).

O relatório da investigação ainda cita outra mensagem de Eduardo, em que pede que informações não cheguem ao presidente americano. “Torce para a inteligência americana não levar isso aqui ao conhecimento do Trump”, escreveu.

As mensagens também ganharam repercussão devido ao contexto familiar. Bolsonaro havia tentado amenizar sua relação com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, o que desagradou o filho.

Eduardo segue investigado por crimes como obstrução de justiça e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo a abertura de inquérito, enquanto o deputado se defende alegando que as acusações são um “delírio” e classificando o vazamento das mensagens como “lamentável e vergonhoso”.

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