
A reeleição histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a produzir efeitos no cenário político internacional. Após vencer o segundo turno das eleições presidenciais, o petista passou a ser procurado por candidatos e dirigentes políticos de esquerda e de centro interessados em associar suas campanhas ao resultado eleitoral brasileiro. A expectativa é de que Lula grave vídeos de apoio a candidaturas nos Estados Unidos e em países europeus.Play Video
Segundo informações do jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, os pedidos começaram a chegar nos últimos dias, por intermédio de assessores e aliados do presidente. A vitória de Lula tem sido interpretada por setores políticos estrangeiros como um contraponto à influência dos Estados Unidos sobre disputas eleitorais e processos democráticos em diferentes países.
O interesse internacional pelo presidente brasileiro ganhou força especialmente entre partidos e candidatos que buscam enfrentar o avanço de forças conservadoras. Na Espanha e no México, dirigentes partidários passaram a reproduzir o gesto do “L”, associado à campanha de Lula. Nos Estados Unidos, candidatos do Partido Democrata que disputam as eleições de meio de mandato também manifestaram reconhecimento pelo desempenho eleitoral do brasileiro.
A possibilidade de participação de Lula em campanhas estrangeiras representa uma nova dimensão de sua atuação política internacional. Além de exercer a Presidência da República, o petista poderá emprestar sua imagem a candidaturas que identificam em sua reeleição um exemplo de mobilização eleitoral.
- Janones também é procurado para atuar em campanhas europeias
O interesse pela experiência eleitoral brasileira não se restringe ao presidente. O deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável por comandar a estratégia digital da campanha de Lula no segundo turno, também recebeu convites para colaborar com processos eleitorais na Europa.
A procura pelo parlamentar ocorre após sua participação na comunicação digital da campanha presidencial brasileira. O trabalho desenvolvido durante a disputa passou a despertar a atenção de grupos políticos estrangeiros interessados nas estratégias utilizadas na eleição.
Agenda internacional prevê viagens à Ásia e aos Estados Unidos
A projeção internacional de Lula coincide com uma série de compromissos diplomáticos previstos para os próximos meses. Em novembro, o presidente deverá viajar à Turquia e às Filipinas, onde também são esperados encontros com autoridades estrangeiras.
Em dezembro, Lula tem uma viagem programada aos Estados Unidos para participar da reunião do G20. A expectativa é de que a agenda abra espaço para um encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, na Flórida.
Caso seja confirmado, esse será o primeiro encontro entre os dois líderes desde a vitória de Lula no segundo turno da eleição presidencial brasileira.
A reunião poderá representar uma oportunidade para discutir questões comerciais que permanecem pendentes entre os dois países, especialmente as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil antes do processo eleitoral.
Planalto aposta em negociação com Trump para reduzir tarifas
O governo brasileiro pretende aproveitar a confirmação de mais quatro anos de mandato de Lula para retomar, ainda em 2026, as negociações destinadas à redução das tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos.
A avaliação no Palácio do Planalto é de que a reeleição do presidente brasileiro poderá favorecer uma postura mais pragmática por parte do governo Trump. Com a continuidade da administração petista assegurada pelas urnas, a expectativa é de que Washington passe a considerar um horizonte mais longo nas relações bilaterais.
A questão comercial deverá ocupar espaço importante na agenda diplomática de Lula nos próximos meses, paralelamente ao aumento da procura por sua participação em campanhas eleitorais estrangeiras.



