POLÍTICA

O novo desgaste na campanha de Flávio Bolsonaro causado pelo escândalo de Valdemar

A investigação da Polícia Federal contra Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, abriu um novo foco de desgaste para a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. O dirigente partidário é um dos principais aliados da família Bolsonaro e comanda a estrutura partidária da qual o senador depende para viabilizar sua candidatura.

Valdemar é investigado por desvio de dinheiro de emendas parlamentares e associação criminosa, conforme decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O despacho, assinado na segunda-feira (6) e tornado público na sexta-feira (10), integra desdobramentos da Operação Transparência e de um inquérito sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos.

A PF aponta indícios de que Valdemar, mesmo sem mandato parlamentar, influenciava de forma clandestina a destinação de verbas de emendas. Investigadores sustentam que o presidente do PL contava com apoio de servidores da Câmara dos Deputados para direcionar recursos públicos de acordo com seus interesses.

A estimativa da PF é que Valdemar tenha atuado no desvio de ao menos 21 emendas parlamentares, que somam cerca de R$ 119 milhões em empenhos ou pagamentos. Dino determinou a suspensão desse valor e detalhou indícios sobre a atuação do dirigente e de três servidores da Câmara, dois deles lotados na Liderança do PL.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Foto: Beto Barata/PL

Aliado de Flávio também virou alvo de operação da PF

A pressão sobre a pré-campanha não se limita a Valdemar. Márcio Canella (União Brasil), principal aliado de Flávio em Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, também foi alvo de operação da PF nesta semana. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 7,6 bilhões, ligado a postos de combustíveis da região.

Flávio não é alvo da investigação contra Valdemar, mas o avanço das apurações atinge o ambiente político do PL. O senador e o presidente do partido aparecem juntos em eventos e reuniões e compartilham o mesmo projeto eleitoral dentro da legenda, que também reúne Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro.

A especialista em comunicação política e eleitoral Bianca Silvino avaliou que a investigação contra Valdemar não compromete, isoladamente, a candidatura de Flávio, mas se soma a outras crises recentes. Ela citou o caso Vorcaro, o embate público com Michelle Bolsonaro, a declaração de Paulo Figueiredo contra o voto feminino, a operação da PF contra Jair Bolsonaro em julho de 2026 e a dependência de uma decisão dos Estados Unidos sobre tarifas aplicadas ao Brasil no âmbito de investigação conduzida pela USTR.

Bianca afirmou que o caminho mais viável para Flávio seria adotar um “distanciamento silencioso” da crise, sem romper com Valdemar nem fazer uma defesa pública enfática do presidente do PL. A razão, segundo ela, é prática: o senador depende da estrutura do partido, incluindo fundo eleitoral, tempo de televisão e articulação nos estados.

Flávio, porém, saiu em defesa de Valdemar e disse que o presidente do PL “saberá dar todas as respostas aos pontos levantados”. O senador também afirmou que é “natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, especialmente os do próprio PL”, e acusou a PF de agir de forma seletiva para constranger adversários do governo federal.

A defesa de Valdemar negou irregularidades e criticou a decisão de Dino. “A defesa de Valdemar Costa Neto recebe com surpresa a decisão do ministro Flávio Dino que decretou medidas cautelares em seu desfavor. Com o devido respeito, a decisão parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”, afirmou.

Com DCM

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