
Eu tenho todos os motivos para odiar gente rica e aproveito isso ao máximo.
Dessa vez foi Luciano Huck, um cara que já se propôs a se candidatar à Presidência do país.
Depois de declarar, na maior cara dura, que “o Bolsa Família é essencial para quem passa fome, mas não pode ser o projeto de vida de uma geração”, foi para Paris.
É essa a elite que temos no Brasil: Deus para si e o diabo para os outros.
Quantas mães cozinham em fogões improvisados por falta de gás? Quantas pessoas passam fome e passariam ainda mais sem o auxílio do Bolsa Família?
Só não vê quem não quer: essa gente detesta pobre.
Angélica, acostumada com todos os luxos possíveis, reclamou do café da manhã em Paris porque não havia “o menor glamour”.
O mais triste, entretanto, é ver gente pobre admirando essa elite como se ser rico com privilégios fosse mérito.
O Bolsa Família, graças a Lula, põe comida na mesa de milhões de brasileiros e tirou o Brasil do Mapa da Fome.
Enquanto isso, eles reclamam em Paris.
Segundo reportagens sobre o evento, ele usou o exemplo do município de Senhor do Bonfim para defender que a gestão pública deveria criar mais oportunidades de mobilidade social e empreendedorismo.
Luciano, quem passa fome não empreende. Frequentemente, acabam no seu programa sendo ridicularizados pelo que você chama de caridade.

Ana Paula Renault — eu jamais imaginaria ter uma ex-BBB como favorita — usa seus stories para lutar contra a escala 6×1. É exatamente isso que os influenciadores deveriam fazer, já que infelizmente existem.
A elite do atraso só se importa consigo mesma e frequentemente emoldura a pobreza para ganhar audiência e muito dinheiro, como faz Luciano Huck desde que se entende por gente.
Dez mil reais — talvez o preço da diária dele em Paris, ou talvez eu seja ingênua o suficiente para acreditar que seja tão pouco — para humilhar pobre em rede nacional, expondo-os ao ridículo.
Eles precisam da pobreza porque precisam da caridade para parecer gente. Quem é gente de verdade não ataca programas sociais; ao contrário, defende-os.
E talvez seja justamente essa a diferença entre quem conhece a fome e quem apenas a comenta em auditórios e entrevistas.
Para milhões de brasileiros, o Bolsa Família não é teoria econômica, estatística ou debate eleitoral: é comida na mesa, gás de cozinha, material escolar e dignidade. Lula entendeu isso.
A elite brasileira, em grande parte, continua sem entender. Porque é muito fácil falar em mérito, empreendedorismo e esforço individual quando nunca se precisou escolher entre pagar uma conta ou jantar e ver seus filhos morrendo com fome.



