POLÍTICA

Bolsonaro toma decisão sobre papel de Michelle na disputa presidencial

Michelle e Jair Bolsonaro. Foto: Andre Ribeiro/Estadão

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou a possibilidade de sua esposa, Michelle Bolsonaro, ser candidata à Presidência da República neste ano. De acordo com aliados próximos à família, o impedimento se mantém firme mesmo diante do escândalo que abalou a pré-candidatura de seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL). A possibilidade de indicá-la como vice, no entanto, está no horizonte.

Segundo a Folha, aliados afirmam que o ex-presidente teme que Michelle, como candidata ao Planalto, se torne alvo de um “jogo sujo e pesado” com o qual ela não saberia lidar. Já no cargo de vice, ela estaria protegida. Por enquanto, o nome de Flávio Bolsonaro segue mantido como o principal ativo da família na corrida presidencial.

Michelle permaneceria como um plano B caso a candidatura de Flávio não se sustente nas pesquisas. A possibilidade mais concreta, segundo as fontes, seria colocá-la como vice em uma chapa encabeçada por nomes como Ronaldo Caiado ou a ex-ministra Tereza Cristina. A decisão final dependerá da evolução dos números do senador.

Flávio só seria trocado se seguisse caindo nas pesquisas e candidatos a deputado e senador do PL, temendo naufragar no mesmo barco, pressionassem pela troca. Até lá, a cúpula bolsonarista mantém o plano original, com o filho mais velho do ex-presidente na cabeça de chapa.

Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Flávio Bolsonaro e o filme “Dark Horse”

O senador foi protagonistas de reportagens do Intercept Brasil que revelaram que ele buscou o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar “Dark Horse”, filme sobre a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

Segundo as apurações divulgadas, o banqueiro se comprometeu a repassar cerca de R$ 134 milhões ao projeto, e ao menos R$ 61 milhões teriam sido enviados por meio de estruturas ligadas a empresas e fundos no exterior. O caso ganhou força porque os repasses teriam ocorrido após pedidos de Flávio Bolsonaro, que aparece em áudios cobrando pagamentos de Vorcaro.

Inicialmente, Flávio negou que o Banco Master ou Vorcaro tivessem financiado o filme. Depois da divulgação de mensagens, documentos e comprovantes, o senador admitiu ter buscado recursos privados para a produção e passou a dizer que a relação com o banqueiro se limitava ao longa.

A crise se agravou quando ele também confirmou ter visitado Vorcaro em São Paulo depois da primeira prisão do banqueiro, quando ele usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar o estado. Flávio afirmou que foi ao encontro para “botar um ponto final” na questão do financiamento.

As explicações provocaram desconforto dentro do PL. Parlamentares cobraram do senador garantias de que não surgiriam novas revelações e a cúpula passou a trabalhar com um prazo para medir o impacto político do caso.

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