
A percepção de que grandes jornais estariam promovendo uma espécie de “limpeza de imagem” para Flávio Bolsonaro ganha força, com a possibilidade de o político ser tratado de forma mais branda pela imprensa. Essa estratégia, segundo analistas, visa dissociá-lo da figura paterna e testar um novo posicionamento, talvez até com o uso de diminutivos, como “Flavinho”, para suavizar seu perfil.
A ideia é apresentar uma versão mais moderada e acessível de Flávio Bolsonaro, afastando-o da imagem de “brutalização da política” associada à família. A iniciativa, que foge do tradicional marketing político da extrema direita, parece ser agora uma tarefa assumida pelas grandes corporações de mídia, como Folha, Globo e Estadão, buscando criar um “novo bolsonarismo” humanizado externamente.
Essa mudança de abordagem, que inclui a retirada gradual do sobrenome Bolsonaro em manchetes, como denunciado pela ombudsman da Folha, Alexandra Moraes, sugere um plano para testar a capacidade de Flávio de se sustentar politicamente por conta própria. A estratégia visa, inclusive, atrair o eleitorado feminino, que majoritariamente rejeita sua imagem atual.
Essa “harmonização” tem sido tema de debate entre colunistas. A sugestão de Raquel Landim, no Estadão, de que Flávio pudesse ter um “Paulo Guedes de saias”, ou seja, uma figura feminina forte comandando a economia, ilustra a busca por novas roupagens. Outros, como Joel Pinheiro da Fonseca, Demétrio Magnoli e Elio Gaspari, já defendem a ideia de que o filho não é igual ao pai, apostando em uma diferenciação.
A Estratégia de “Suavização” e a Busca por Novos Rótulos
A tática de “suavizar o perfil” de Flávio Bolsonaro envolve apresentar uma imagem menos associada à brutalidade e mais alinhada a um negociador, um palco performático ou uma figura de projeção internacional. O objetivo é torná-lo mais palatável para a “velha direita” e para o eleitorado em geral, que reage negativamente à sua imagem atual.
A retirada do sobrenome, além de uma “faxina” na imagem, serve para testar se o nome “Flávio” por si só pode se consolidar. A comparação com figuras como Fernando Henrique Cardoso (FH ou FHC) ou até mesmo a possibilidade de se tornar uma sigla como FB, ACM ou JK, demonstra a ambição de criar uma marca política independente.
Novos Rótulos para o “Novo Bolsonarismo”
Para que Flávio Bolsonaro seja assimilado como uma figura menos bruta e menos associada ao “grande chefão preso”, a mídia sugere a adoção de novas características. A ideia é que ele se apresente como um negociador capaz de conversar com todos, um dançarino de palco performático, como se viu em Rondônia, e uma figura de projeção internacional.
A reconstrução de Flávio Bolsonaro passa por concessões que o distanciem da essência e DNA do pai. A intenção é que a “direita à la Valdemar Victor Frankstein Costa Neto” possa se identificar com uma criatura de “bons modos à mesa”, mesmo que sua estrutura e alma permaneçam as mesmas.
Corporações de Mídia Lideram a “Humanização” do Bolsonarismo
A tarefa de “harmonização” de Flávio Bolsonaro parece ter sido transferida para as corporações de mídia. A Folha, Globo e Estadão estariam liderando o processo de “humanização” do novo bolsonarismo, buscando uma imagem externa mais amigável. A mudança de vestuário, a imagem de moderado e a aproximação de figuras femininas são parte dessa estratégia.
A ombudsman da Folha, Alexandra Moraes, alertou que o sobrenome Bolsonaro está desaparecendo das manchetes, indicando uma possível dianteira do jornal nesse plano de dissociação. A expectativa é que, em breve, Flávio seja tratado como “Flavinho”, um político com um perfil distinto e mais aceitável para um eleitorado mais amplo.



