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Governo Lula tentará negociar com a China taxação imposta à carne brasileira

O governo do presidente Lula informou que buscará negociação com as autoridades chinesas após o anúncio de que a China passará a taxar parte das importações de carne bovina brasileira e de outros países em até 55%. A medida foi comunicada na quarta-feira, 31 de dezembro de 2025, e terá impacto direto sobre um dos setores mais estratégicos da pauta exportadora do Brasil.

A informação foi publicada pelo portal RT Brasil, que repercutiu a nota oficial divulgada pelo governo brasileiro sobre a nova política tarifária chinesa. No comunicado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirma que a resposta do Brasil será articulada com o setor privado e incluirá diálogo bilateral e atuação no âmbito multilateral.

Segundo a nota do MDIC, “o governo brasileiro tem agido de forma coordenada com o setor privado e seguirá atuando junto ao governo chinês tanto em nível bilateral quanto no âmbito da OMC, com vistas a mitigar o impacto da medida e defender os interesses legítimos dos trabalhadores e produtores do setor”.

Governo reconhece legitimidade, mas tenta reduzir impacto

No documento, o ministério ressalta que o uso de tarifas como instrumento de defesa comercial é reconhecido internacionalmente e permitido pelas regras multilaterais, inclusive no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ou seja, o governo brasileiro evita caracterizar a medida como uma ruptura das normas internacionais, mas deixa claro que pretende negociar para proteger o setor pecuário nacional.

Essa abordagem, ao destacar a legalidade do instrumento, sugere uma estratégia dupla: manter um canal aberto de diálogo com a China e, ao mesmo tempo, defender que o Brasil tem argumentos fortes para pleitear ajustes na aplicação das cotas e das tarifas, especialmente devido ao peso da carne brasileira no abastecimento chinês.

Brasil destaca papel estratégico da pecuária na segurança alimentar chinesa

A nota também reforça que o setor pecuário brasileiro atua como fornecedor estável e competitivo para o mercado chinês, e que a carne exportada pelo Brasil passa por rígidos controles sanitários, além de cumprir padrões de sustentabilidade. A mensagem central é que o Brasil não pode ser tratado como um exportador ocasional ou de risco, mas como um parceiro relevante na segurança alimentar da China.

Ao sublinhar esse histórico, o governo tenta construir uma base política e técnica para a negociação, argumentando que a decisão pode gerar efeitos colaterais no próprio mercado chinês, ao pressionar preços e reduzir a previsibilidade do abastecimento.

Entenda a medida anunciada pela China

Conforme descrito no anúncio chinês, a China adotará cotas tarifárias específicas por país sobre importações de carne bovina que ultrapassem determinada quantidade. A nova política entra em vigor em 1º de janeiro de 2026 e permanecerá válida até 31 de dezembro de 2028.

No caso do Brasil, a medida prevê uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas. Tudo o que exceder esse volume será taxado com tarifa de 55%, além das tarifas atualmente em vigor.

Setor brasileiro deve pressionar por negociação rápida

Embora o governo já tenha declarado que atuará para mitigar impactos, a imposição de cotas e sobretaxas tende a gerar preocupação imediata no setor exportador, que depende fortemente do mercado chinês. A China é um dos principais destinos da carne bovina brasileira, e qualquer restrição significativa pode afetar preços, planejamento de produção, contratos e investimentos.

Além disso, a adoção de cotas por país pode abrir espaço para maior disputa entre exportadores globais, elevando a concorrência em um mercado que se tornou central para a pecuária brasileira nos últimos anos.

O que pode acontecer a partir de agora

Com a medida prestes a entrar em vigor já no início de 2026, o Brasil deverá intensificar conversas diplomáticas e técnicas para tentar flexibilizar condições, revisar volumes ou estabelecer mecanismos que reduzam os efeitos da tarifa sobre excedentes. Ao mesmo tempo, a referência à OMC indica que o governo não descarta levar o tema ao debate multilateral, se considerar necessário.

Na prática, a forma como o Brasil conduzirá essa negociação será decisiva para evitar perdas relevantes em exportações e para preservar a posição do país como um dos maiores fornecedores globais de carne bovina.

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